Revolut atinge valuation de US$ 115 bilhões e amplia vantagem sobre o Nubank
A Revolut concluiu uma nova rodada secundária de ações destinada a funcionários, avaliando a fintech britânica em US$ 115 bilhões. O salto de 53% em relação à operação anterior, feita em setembro do ano passado a US$ 75 bilhões, aprofunda a diferença de valor de mercado frente ao Nubank, hoje avaliado em US$ 67,5 bilhões.

Revolut e Nubank costumam ser comparadas por ocuparem posições semelhantes no imaginário do investidor: bancos digitais que cresceram rápido e romperam a barreira de um único mercado doméstico. Mas os modelos de negócio divergem. O Nubank construiu sua base em crédito, concentrado na América Latina, com Brasil e México como pilares. A Revolut seguiu um caminho mais global e menos intensivo em capital, hoje presente com licença bancária em 30 países, incluindo o Reino Unido.
Essa diferença estrutural importa para quem acompanha o mercado de crédito. O Nubank opera como credor direto em escala, o que o expõe a ciclos de inadimplência, funding e regulação prudencial de forma muito mais próxima do que a Revolut, cujo negócio se apoia em serviços financeiros diversificados além do crédito.
O que mudou: nova rodada, novo patamarSegundo memorando obtido pela agência Bloomberg, a operação avaliou cada ação da Revolut em US$ 2.017. O CEO Nikolay Storonsky, que assina o documento, atribuiu o resultado à "demanda significativa de investidores novos e existentes". Procurada pelo NeoFeed, a companhia confirmou o processo de venda secundária, mas disse que só comentará detalhes após a conclusão.
Os números por trás do valuation ajudam a entender a disputa. Em 2025, o Nubank tinha quase o dobro de clientes da Revolut, com 131 milhões contra uma base bem menor da fintech britânica. Ainda assim, a Revolut liderou em volume total de depósitos, com US$ 65,3 bilhões, reflexo de um público mais internacional e com tíquete médio maior.
No Brasil, o Nubank consolidou 115 milhões de clientes e obteve licença bancária no México, com investimentos previstos de US$ 4,2 bilhões. A Revolut, presente no país desde 2023 por meio de uma licença de sociedade de crédito direto (SCD), lançou operação bancária oficial no México neste início de ano e criou, no mês passado, um conselho consultivo para orientar sua expansão brasileira, com a obtenção de uma licença bancária local entre as prioridades.
Análise: múltiplo alto, apostas distintasEm relatório de junho, quando as primeiras informações sobre a rodada vieram a público, o BTG Pactual calculou que, ao valuation de US$ 115 bilhões, a Revolut passaria a negociar a um múltiplo preço sobre lucro (P/L) de 67,8 vezes. Para efeito de comparação, o Nubank opera a um P/L de 20,5 vezes, segundo os mesmos analistas.
A diferença de múltiplo é o ponto mais sensível para quem observa o setor de crédito e renda fixa. Um P/L quase 3,3 vezes maior sugere que o mercado precifica a Revolut menos como um banco tradicional e mais como uma plataforma de crescimento global, enquanto o Nubank segue avaliado com lentes mais próximas às de uma instituição financeira de crédito estabelecida. Os próprios analistas do BTG Pactual reforçam essa leitura ao destacar que as duas empresas, apesar da comparação inevitável, seguem teses de negócio diferentes.
Perspectivas: América Latina como próximo campo de batalhaO ponto de convergência entre as duas fintechs é justamente a América Latina, região onde a disputa deve se intensificar. Com o Nubank já bancarizado no México e a Revolut mirando uma licença bancária no Brasil, o mercado de crédito local tende a ganhar mais um competidor de peso, disposto a operar com estrutura de capital mais leve que a de um credor tradicional.
Para gestores e investidores que acompanham o crédito privado brasileiro, o movimento é um sinal a monitorar de perto: a entrada de players internacionais bem capitalizados, com valuations elevados e apetite declarado por expansão, pode alterar a dinâmica competitiva de originação e funding no país nos próximos anos. Resta observar se a Revolut avançará de fato para uma licença bancária plena no Brasil e como o Nubank reagirá para defender sua posição de originador dominante na região.
Fontes: NeoFeed (Ivan Ryngelblum), memorando obtido pela Bloomberg, relatório do BTG Pactual
FIDC NEWS
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