S&P, Fitch e Moody’s são as novas armas dos FIDCs na disputa por investidores
Com R$ 30,6 bilhões em captação no semestre, FIDCs passam a disputar investidores também por percepção de risco e qualidade de crédito.

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Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios
encerraram o primeiro semestre de 2026 com captação líquida de R$ 30,6
bilhões, volume equivalente a aproximadamente 1 em cada 6 reais recebidos
por toda a indústria brasileira de fundos no período. Ao lado dos Fundos de
Investimento em Participações, os FIDCs movimentaram R$ 62,7 bilhões, pouco
mais de um terço das entradas líquidas registradas entre janeiro e junho.
Quando os Fiagros são incluídos, os três veículos ligados ao financiamento da
economia real alcançam R$ 67,8 bilhões, diante de uma captação
total de R$ 184,7 bilhões da indústria.
O resultado mostra que
o avanço dos FIDCs não está restrito ao aumento do número de operações, mas
começa a mudar os critérios usados pelos investidores para comparar os fundos.
Com mais estruturas disputando recursos, rentabilidade e remuneração acima do
CDI deixam de ser suficientes para explicar a qualidade de uma operação.
Cresce, assim, a busca por ratings de crédito, avaliações
independentes que analisam a capacidade de uma cota ou série cumprir seus
pagamentos de acordo com as condições previstas.
Na
prática, o rating funciona como uma camada adicional de informação para fundos
institucionais, gestoras, family offices e investidores profissionais que
precisam comparar operações com carteiras, garantias e níveis de risco
diferentes. As agências observam fatores como qualidade dos recebíveis,
histórico de inadimplência, concentração entre cedentes e devedores,
subordinação das cotas, mecanismos de proteção, capacidade de cobrança e
experiência dos prestadores de serviços. A nota normalmente não pertence ao
FIDC inteiro, mas a uma cota ou série específica, que pode ter
proteção e prioridade de pagamento diferentes das demais. A Intra Asset já
começou a participar desse movimento com o FIDC Intra Solidez, que recebeu o
rating preliminar brAA- (sf) da S&P Global Ratings na 7ª série de cotas
seniores.
A faixa AA está posicionada logo abaixo da AAA nas
escalas nacionais e indica uma avaliação elevada de qualidade de crédito,
embora não represente garantia contra perdas. “O investidor precisa entender
não apenas quanto uma operação pode render, mas quais mecanismos sustentam esse
retorno. O rating contribui para organizar essa leitura, porque transforma
informações sobre carteira, garantias, governança e capacidade de pagamento em
uma referência que pode ser comparada com outras estruturas do mercado”, afirma
Valdir Piran Junior, CEO e Diretor Executivo da Intra.
A
movimentação recente das agências também mostra que a avaliação e o
monitoramento de FIDCs vêm ganhando espaço, com relatórios publicados para
diferentes fundos e segmentos de crédito ao longo de junho e
julho. O avanço das classificações tende a deslocar parte da concorrência entre
os FIDCs. Em vez de uma disputa concentrada apenas na maior remuneração, os
fundos passam a competir também pela capacidade de demonstrar solidez operacional,
diversificação, governança e proteção para as cotas mais seniores. Esse
processo pode ampliar o universo de investidores de uma estrutura, sobretudo
entre instituições cujas políticas internas estabelecem níveis mínimos
de rating para determinadas aplicações. Ao mesmo tempo, a nota precisa
ser interpretada em conjunto com prazo, liquidez, remuneração, senioridade e
composição da carteira.
Dois fundos classificados na mesma
faixa podem apresentar exposições e mecanismos de proteção diferentes. “Uma
classificação elevada é consequência de uma estrutura capaz de suportar
cenários adversos, e não apenas de um bom desempenho em períodos favoráveis.
Para o gestor, o desafio é demonstrar que seleção de crédito, monitoramento e
governança permanecem consistentes durante toda a vida do fundo”, afirma
Valdir. Com os FIDCs respondendo por 16,6% da captação líquida
da indústria no semestre, a adoção de ratings tende a se tornar parte do
amadurecimento desse mercado, reduzindo a assimetria de informações e dando ao
investidor mais instrumentos para equilibrar risco e retorno.
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