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MercadoCrédito privado

Taxa de desconto de duplicatas varia de 13% a 134% ao ano entre bancos, aponta BC

Um ranking divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) com as taxas de desconto de duplicatas prefixado praticadas pelas instituições financeiras entre 1 e 7 de julho de 2026 mostra uma distância enorme de custo para a mesma operação de crédito. No topo da lista, o BTG Pactual cobra 1,04% ao mês (13,17% ao ano). Na outra ponta, a Nu Financeira aparece com 7,35% ao mês (134,33% ao ano), mais de dez vezes o valor do banco mais barato.

.fnFIDC NEWS 22/07/20263 min de leituraSem comentários
Taxa de desconto de duplicatas varia de 13% a 134% ao ano entre bancos, aponta BC

Contexto: o que é o desconto de duplicatas

O desconto de duplicatas é uma operação de crédito na qual a empresa antecipa o recebimento de um título (a duplicata, documento que representa uma venda a prazo) junto a um banco ou financeira, pagando uma taxa de juros por essa antecipação. É uma das formas mais tradicionais de capital de giro para pessoas jurídicas no Brasil e concorre diretamente com o fomento mercantil e com a cessão de crédito para FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).

O BC publica periodicamente essas taxas por instituição, permitindo comparar o custo do crédito bancário para diferentes modalidades. No levantamento mais recente, referente à primeira semana de julho, 59 instituições financeiras aparecem listadas, ordenadas da menor para a maior taxa.

O que mostra o ranking

Na ponta mais barata da tabela estão bancos de grande porte e com forte atuação corporativa e internacional: BTG Pactual (13,17% a.a.), MUFG Brasil (14,4% a.a.), J.P. Morgan (15,01% a.a.), BofA Merrill Lynch (15,07% a.a.) e Citibank (15,21% a.a.). Entre os dez primeiros colocados também aparecem o Banco Digio (15,34% a.a.) e o Banco Inter (15,92% a.a.), sinal de que instituições digitais também conseguem oferecer taxas competitivas nessa modalidade.

Os grandes bancos de varejo aparecem em posições intermediárias da tabela: Santander cobra 20,52% ao ano, Banco do Brasil 20,63% ao ano, Itaú Unibanco 23,56% ao ano, Bradesco 25,97% ao ano e Caixa Econômica Federal 33,28% ao ano.

Já na parte final do ranking estão financeiras de menor porte e fintechs de crédito, com taxas bem acima da média: Sinosserra (80,73% a.a.), HS Financeira (105,15% a.a.), AgoraCred (132,77% a.a.) e Nu Financeira, que fecha a lista com 134,33% ao ano, a maior taxa entre as 59 instituições avaliadas.

Análise: o que essa disparidade revela

A diferença de mais de dez vezes entre a taxa mais baixa e a mais alta do ranking evidencia como o custo do crédito para desconto de duplicatas no Brasil está longe de ser padronizado. Bancos com carteira corporativa robusta e acesso a funding mais barato conseguem operar com taxas de um dígito ao mês, enquanto financeiras menores, que atendem um perfil de cliente com risco mais elevado ou menor histórico, precisam cobrar taxas muito mais altas para compensar o risco de inadimplência.

Para gestores de FIDC e empresas de fomento mercantil, esse dado funciona como termômetro de mercado. O custo bancário do desconto de duplicatas serve de referência de precificação: quando os bancos cobram caro, operações estruturadas via factoring e securitização de recebíveis ganham espaço como alternativa de funding para pequenas e médias empresas que não têm acesso às taxas mais baixas oferecidas a grandes corporações.

Perspectivas

O levantamento reforça um ponto recorrente no mercado de crédito privado brasileiro: o acesso a taxas competitivas ainda depende fortemente do porte e do relacionamento bancário da empresa tomadora. Para o segmento de FIDC, a manutenção de um spread relevante entre bancos de primeira linha e financeiras menores tende a sustentar a demanda por cessão de recebíveis como fonte de capital de giro, especialmente entre PMEs que enfrentam taxas de dois dígitos ao mês nas pontas mais caras do sistema bancário.

Vale acompanhar as próximas divulgações do BC para verificar se essa disparidade se mantém, aumenta ou diminui, e como isso pode impactar o volume de cessão de duplicatas para fundos e securitizadoras nos próximos meses.


Fonte: Banco Central do Brasil, via Portal do Fomento

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O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.

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