3 medidas: Após circuit breaker, especialistas orientam empresas a como proteger caixa sem frear vendas
Consultoria aponta controle dos recebíveis, revisão de prazos e diversificação do financiamento como prioridades diante da turbulência.

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Foto: Divulgação (Gueratto)
A queda de 10% do Ibovespa, que levou a B3 a suspender as negociações por 30 minutos nesta segunda-feira, 26 de outubro, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, acendeu um alerta para empresas que dependem de crédito para financiar suas operações. A reação do mercado, acompanhada pela alta dos juros futuros e pela valorização do dólar, ampliou as preocupações com o custo do financiamento e a preservação do capital de giro. Embora o circuit breaker não afete diretamente as taxas de crédito, a maior percepção de risco pode pressionar as condições de novas contratações caso a turbulência persista. Para varejistas, distribuidoras e franquias, o desafio é manter as vendas sem comprometer a liquidez. Isso exige avaliar o custo dos prazos concedidos aos clientes, identificar recebíveis já comprometidos e revisar contratos sujeitos à variação dos juros. A prioridade deixa de ser apenas vender mais e passa a incluir quanto cada venda efetivamente contribui para o caixa e para a rentabilidade do negócio.
A preocupação econômica também se concentra no descompasso entre os prazos de pagamento e recebimento das empresas, especialmente daquelas que financiam diretamente seus clientes. Varejistas, distribuidoras e franquias que oferecem parcelamentos precisam arcar com despesas operacionais, fornecedores e reposição de estoques antes de receber o valor integral das vendas. Nesse cenário, a antecipação frequente de recebíveis, a inadimplência e a concessão de prazos sem considerar o custo financeiro podem comprometer as margens, mesmo quando o faturamento permanece estável. Na avaliação da Finscale, consultoria especializada em finanças embarcadas, o desafio está em analisar conjuntamente o fluxo de vendas, os prazos de recebimento, o comportamento de pagamento dos clientes e as necessidades de capital de giro. Esse diagnóstico ajuda a identificar custos pouco visíveis na operação, avaliar alternativas de financiamento e estabelecer critérios de crédito e cobrança compatíveis com a capacidade financeira de cada negócio. O objetivo é preservar a rentabilidade das vendas e reduzir a dependência de recursos emergenciais, sem comprometer a continuidade das atividades comerciais.
A orientação para enfrentar períodos de maior volatilidade é preservar o caixa sem interromper indiscriminadamente a concessão de crédito ou comprometer vendas rentáveis. Para isso, empresários devem projetar o fluxo financeiro sob diferentes cenários de juros, revisar prazos e limites conforme o histórico de pagamento dos clientes e comparar alternativas de financiamento antes de assumir novas obrigações. A gestão dos recebíveis também ganha relevância, pois permite identificar oportunidades de reduzir antecipações desnecessárias, melhorar a cobrança e estruturar produtos financeiros integrados à atividade comercial. Essa abordagem diferencia empresas que apenas reagem à escassez de recursos daquelas que conseguem planejar suas necessidades de financiamento. A perspectiva macroeconômica é de atenção ao comportamento dos juros, do câmbio e às expectativas para a política fiscal, fatores que influenciam o custo do capital e as decisões de investimento.
Como sugestão de declaração para validação de Letícia Moschioni, CEO da Finscale: “A primeira reação do empresário não deve ser cortar o crédito de todos os clientes ou interromper investimentos. É preciso entender quais vendas continuam rentáveis depois do custo financeiro e onde estão os riscos para o caixa. Com recebíveis organizados, critérios claros de concessão de crédito e uma estrutura financeira adequada, a empresa consegue preservar sua capacidade comercial e tomar decisões com mais segurança, mesmo em períodos de instabilidade.”
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