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Americanas nega à CVM conhecer origem do valor de R$ 54 bilhões em fraude

.fnFIDC NEWS 01/07/20263 min de leituraSem comentários
Americanas nega à CVM conhecer origem do valor de R$ 54 bilhões em fraude
Americanas nega à CVM conhecer origem do valor de R$ 54 bilhões em fraude

Lojas Americanas em Brasília (Reuters)

A Americanas (AMER3) informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que não tem como confirmar o valor de R$ 54 bilhões apontado como suposto montante total da fraude contábil da companhia, número que circulou em reportagem baseada em um inquérito da Polícia Federal. A resposta, enviada em atendimento a um questionamento da autarquia, reacende a discussão sobre a extensão real do rombo identificado na varejista.

Contexto

A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, após a revelação de inconsistências contábeis bilionárias que expuseram o uso de operações estruturadas de risco sacado sem o devido registro nos balanços. Desde então, a companhia passou por reestruturação de dívida, aumento de capital e reformulação de governança, processo acompanhado de perto pela CVM, credores e investidores de instrumentos de crédito ligados à empresa.

O valor de R$ 25,3 bilhões em lançamentos indevidos e fraudes contábeis identificadas já é conhecido do mercado. Ele consta em demonstrações financeiras auditadas por auditor independente e segue refletido nas informações financeiras divulgadas pela companhia. É esse número, e não o de R$ 54 bilhões, que hoje serve de referência oficial para investidores e credores.

O que mudou

O gatilho da nova rodada de questionamentos foi uma reportagem que citou um suposto cálculo de R$ 54 bilhões para o total da fraude, com base em um inquérito da Polícia Federal. Diante da repercussão, a CVM cobrou explicações da Americanas sobre o número.

Em sua resposta, a companhia afirmou que o inquérito tramita sob sigilo, que ela não figura como investigada no processo e que não tem acesso aos autos. Por esse motivo, diz desconhecer como o valor de R$ 54 bilhões foi calculado, quais critérios metodológicos foram usados e a que período ou escopo contábil o número se refere. A varejista reforçou ainda não ter conhecimento de novos desdobramentos da fraude capazes de alterar o montante de R$ 25,3 bilhões já registrado e auditado.

Análise

Para o mercado de crédito privado, a distância entre os dois números importa mais do que parece. O valor auditado de R$ 25,3 bilhões é o que hoje sustenta o plano de recuperação judicial, os covenants renegociados com credores e a precificação de instrumentos de dívida ligados à Americanas. Um número não confirmado, oriundo de inquérito sigiloso e sem metodologia divulgada, não tem, a rigor, força para alterar essa base contábil enquanto não for validado por perícia independente ou por auditoria.

Analistas de mercado avaliam que a resposta da Americanas segue o script esperado em situações assim: separar o que é fato auditado do que é especulação com base em vazamento de investigação sigilosa. "A companhia só pode se posicionar sobre o que está sob sua governança e visibilidade, que são as demonstrações financeiras auditadas. Qualquer número fora desse perímetro é, juridicamente, terra de ninguém até virar prova formal", avalia um analista do setor de reestruturação de crédito.

Perspectivas

O episódio deve manter a CVM atenta a eventuais atualizações do inquérito da Polícia Federal e à forma como novas informações, se tornadas públicas, podem impactar a percepção de risco sobre a Americanas. Para investidores e credores expostos a instrumentos de crédito da varejista, o ponto de atenção segue sendo o cumprimento do plano de recuperação judicial e a manutenção da consistência dos números auditados.

Até que o inquérito da Polícia Federal deixe de tramitar sob sigilo, ou que a CVM se manifeste formalmente sobre a divergência entre os valores, o mercado deve tratar o número de R$ 54 bilhões como não confirmado, mantendo como referência oficial o montante de R$ 25,3 bilhões já auditado.


Fonte: InfoMoney, Felipe Moreira, 01/07/2026, Americanas diz à CVM desconhecer cálculo de suposta fraude de R$ 54 bilhões

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