ASA planeja dobrar equipe nos EUA para acelerar gestão de fortunas
A ASA, gestora de patrimônio fundada por Alberto Safra, vai dobrar o tamanho de sua operação nos Estados Unidos ao longo de 2026, com a contratação de cerca de 50 profissionais. O movimento reforça a estratégia da casa de construir uma estrutura de wealth management independente do Brasil, voltada a clientes americanos e latino-americanos de alto patrimônio.

Contexto: uma gestora em expansão acelerada
A ASA nasceu do braço de gestão de fortunas ligado a Alberto Safra, filho de Joseph Safra, o banqueiro que construiu um dos maiores conglomerados financeiros do mundo antes de falecer em 2020, aos 82 anos. A fortuna da família, hoje sob responsabilidade da matriarca Vicky Safra, de 74 anos, é estimada em cerca de US$ 26,7 bilhões, com raízes que remontam ao Império Otomano e à cidade de Aleppo, na Síria, no início do século XIX.
Depois de vender sua participação no J. Safra Group, cuja gestão soma aproximadamente US$ 590 bilhões em ativos, em 2024, Alberto Safra concentrou esforços na ASA. A casa hoje conta com cerca de 1.000 funcionários entre Brasil e exterior, um salto expressivo frente aos pouco mais de 500 profissionais registrados em julho de 2025. No Brasil, a gestora administra R$ 27,8 bilhões em ativos; os valores sob gestão fora do país não foram divulgados.
A expansão ocorre em um momento favorável para gestoras de fortunas com foco nos Estados Unidos. O mercado de aberturas de capital (IPOs) no país deve movimentar cerca de US$ 193 bilhões em 2026, volume cinco vezes maior do que o registrado recentemente, o que amplia a criação de riqueza entre empreendedores e famílias que passam a demandar serviços de private banking mais sofisticados.
O que mudou: contratações, escritórios e liderança dedicada
O plano da ASA para 2026 prevê a contratação de cerca de 50 pessoas nos Estados Unidos, com operações concentradas em dois endereços de peso: Park Avenue, em Nova York, e Brickell Avenue, em Miami. A gestora também avalia a abertura de novos escritórios em Chicago, Boston e Los Angeles, ampliando a cobertura geográfica dentro do país.
A frente americana é liderada por Charles Ferraz, diretor de investimentos da ASA nos EUA, e ganhou reforço recente com a chegada de Mosche Majeski, contratado no início de 2026 para comandar o private banking americano. Na América Latina, a liderança de private banking está sob responsabilidade de Antonio Gonzalez. Ao todo, a ASA já soma 32 escritórios, com presença consolidada no Brasil e negócios em desenvolvimento no México e potencialmente no Panamá.
O público mirado pela gestora são clientes com patrimônio elevado, americanos e latino-americanos, com investimento mínimo em torno de US$ 5 milhões. A casa também enfrentou saídas na equipe de gestão de fundos, caso de Fabio Okumura, que deixou a ASA cerca de um ano após a aquisição da Gauss Capital, e de Fabiano Zimmermann, que comandava o fundo ASA Alpha.
Análise: infraestrutura de bilionário para quem tem milhões
Para os executivos da ASA, o diferencial do movimento está em democratizar, dentro do segmento de alta renda, um padrão de serviço até então restrito a fortunas ainda maiores. "A ambição do ASA é criar uma estrutura e um negócio nos EUA independentes do Brasil", afirma Charles Ferraz, diretor de investimentos da gestora no país.
Antonio Gonzalez, responsável pelo private banking latino-americano, reforça o posicionamento comercial da casa: "Agora podemos oferecer a um cliente com alguns milhões de dólares para investir o mesmo nível de infraestrutura que um bilionário usa".
Do ponto de vista de mercado de capitais, o movimento da ASA ilustra uma tendência mais ampla, discutida com frequência entre gestores de crédito privado e fundos estruturados no Brasil: o crescimento das plataformas de wealth management e private banking amplia o universo de investidores qualificados e institucionais dispostos a alocar em produtos de maior sofisticação, entre eles fundos de crédito, estruturas de securitização e veículos como o FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). Quanto mais robusta a infraestrutura de distribuição para clientes de alto patrimônio, maior tende a ser a demanda por diversificação em ativos de crédito privado, o que reforça a relevância de movimentos como o da ASA para o ecossistema de gestores e originadores que dependem desse público.
Perspectivas: consolidação nos EUA e novos mercados na América Latina
O plano de dobrar a equipe americana em 2026 sinaliza que a ASA pretende tratar os Estados Unidos como um mercado central, e não apenas complementar, dentro de sua estratégia de longo prazo. A expectativa de mercado, considerada conservadora por parte dos próprios executivos da casa, era de que a gestora chegasse a 300 funcionários fora do Brasil em cinco anos; o ritmo atual de contratações sugere que esse número pode ser atingido de forma mais rápida.
Nos próximos meses, o mercado deve acompanhar de perto a definição sobre a abertura de novos escritórios em Chicago, Boston e Los Angeles, além da evolução dos negócios no México e a eventual entrada formal no Panamá. Também será importante monitorar como a ASA equilibra o crescimento agressivo da equipe com a retenção de talentos, tema sensível após a saída de gestores como Fabio Okumura e Fabiano Zimmermann. Para investidores institucionais e gestores de crédito privado no Brasil, a expansão da ASA reforça um cenário em que a competição por clientes de alto patrimônio nos EUA e na América Latina se intensifica, com potenciais reflexos sobre a distribuição de produtos de crédito estruturado no médio prazo.
Fontes: Bloomberg Línea
FIDC NEWS
O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.
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