Augusto Cury salta para 11% e assume isoladamente o terceiro lugar na disputa
A 12ª rodada da pesquisa BTG/Nexus confirma Luiz Inácio Lula da Silva na liderança do primeiro turno, com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. A grande novidade, porém, é o avanço de Augusto Cury, candidato do Avante, que saltou de 2% para 11% em uma semana, um crescimento de nove pontos percentuais que o colocou isoladamente na terceira posição, à frente de nomes já consolidados como Ronaldo Caiado.

Contexto: uma corrida que muda de fase
A pesquisa foi realizada por telefone entre 28 e 30 de agosto, ouviu 2.005 eleitores e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 08900/2026.
O dado relevante é o momento em que a rodada foi feita: é a primeira pesquisa da Nexus divulgada depois do primeiro debate na televisão, das entrevistas dos presidenciáveis no Jornal Nacional e do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Ou seja, o eleitor teve, pela primeira vez nesta campanha, contato direto e simultâneo com todos os principais candidatos, o que ajuda a explicar por que os números se movimentaram mais do que nas rodadas anteriores.
Na pesquisa passada, Lula tinha 41% e Flávio, 37%. A queda de ambos, dois pontos para o presidente e quatro para o senador, coincide exatamente com a decolagem de Cury, um indício de que o escritor está capturando eleitores dos dois principais nomes da disputa, e não apenas dos candidatos menores.
O que mudou: de 2% a 11% em sete dias
O crescimento de Cury aparece também no cenário espontâneo, quando o entrevistado não recebe uma lista de nomes e precisa citar um candidato de memória. Nessa modalidade, mais rigorosa para medir conhecimento real do eleitorado, o escritor foi de 1% para 8%. Lula marcou 37% nesse quesito, ante 38% na semana anterior, e Flávio teve 30%, depois de 31%. Os indecisos recuaram de 15% para 13%, sinal de que parte da indecisão está migrando para Cury em vez de se dissolver entre os líderes.
No cenário estimulado que inclui Pablo Marçal, os números seguem o mesmo padrão: Lula tem 37%, Flávio, 31%, e Cury mantém os 11%. Caiado sobe a 6%, enquanto Marçal e Renan Santos ficam com 3% cada e Zema, com 2%.
O avanço não é uniforme entre os públicos. Cury chega a 22% entre eleitores de 16 a 24 anos, seu melhor resultado por faixa etária, contra 16% entre os de 25 a 40 anos, 8% entre os de 41 a 59 e apenas 4% entre os que têm 60 anos ou mais. Por escolaridade, o padrão se repete: 17% entre eleitores com ensino superior, 14% entre os com ensino médio e só 3% entre os com ensino fundamental. Por renda, Cury tem 17% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos e 8% entre quem recebe até um salário mínimo.
Um recorte chama atenção: entre os eleitores que desaprovam o governo Lula, Cury já aparece em segundo lugar, com 17%, atrás apenas de Flávio Bolsonaro, que concentra 62% desse grupo. Entre os que aprovam a gestão, Lula tem 81% e Cury, apenas 5%. O escritor está, portanto, disputando espaço principalmente no campo da oposição e do eleitor insatisfeito, não no campo governista.
Análise: crescimento real, mas ainda instável
Apesar do salto expressivo, analistas de mercado ponderam que o voto em Cury é o menos consolidado entre os principais nomes da corrida. Enquanto 85% dos eleitores de Lula e de Flávio afirmam que sua decisão está tomada e não vai mudar, esse porcentual cai para 59% entre os eleitores de Cury, com 39% admitindo que ainda podem trocar de candidato. Na média geral dos entrevistados que já escolheram alguém, 78% dizem ter voto decidido.
Essa diferença é o que separa, na leitura de especialistas em pesquisas eleitorais, um movimento de opinião consistente de um efeito passageiro de exposição na mídia. O crescimento coincide com o início do horário eleitoral e com a repercussão do debate, cenário típico de bolhas de curto prazo, mas a distribuição do avanço entre diferentes perfis de renda, idade e escolaridade sugere que não se trata apenas de um pico isolado em um grupo específico.
Um dado reforça essa leitura: entre os eleitores que hoje escolhem Cury no primeiro turno, 46% dizem que votariam em Flávio Bolsonaro em um confronto direto contra Lula no segundo turno, e 23% migrariam para o presidente. Outros 29% votariam em branco ou nulo. Isso mostra que o eleitorado de Cury tende, hoje, a pender mais para a oposição do que para o governo, mas ainda sem definição plena.
O segundo turno segue travado
Apesar da movimentação no primeiro turno, o duelo direto entre Lula e Flávio Bolsonaro permaneceu praticamente parado: o presidente tem 46% e o senador, 45%, um empate técnico dentro da margem de erro, repetindo o resultado da rodada anterior. É a segunda pesquisa seguida em que os dois aparecem separados por apenas 1 ponto percentual.
Outros cenários de segundo turno também estão apertados. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 45% e o ex-governador de Goiás, 44%, também empate técnico, um pouco mais próximo do que os 46% a 42% da rodada anterior. Contra Romeu Zema, o presidente tem 46% a 41%, e contra Renan Santos, 47% a 38%.
Na rejeição, a posição se inverteu em relação à rodada anterior. Agora, 50% dos entrevistados dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro, contra 49% que afirmam o mesmo sobre Lula, diferença dentro da margem de erro. Na pesquisa passada, Lula tinha a rejeição maior, com 49% ante 48% de Flávio. Já no voto exclusivo, Lula segue na frente: 35% dizem que ele é o único candidato em quem votariam, contra 27% que dizem o mesmo de Flávio.
A avaliação do governo Lula também piorou na margem: a aprovação caiu de 48% para 46%, e a desaprovação subiu de 49% para 51%, abrindo um saldo negativo de 5 pontos, o maior desde maio. Entre os que desaprovam o presidente, 62% citam insatisfação com resultados de políticas, ações, obras e leis do governo, 20% apontam rejeição às ideias de Lula e 13% combinam os dois motivos.
Perspectivas: o que observar nas próximas rodadas
O principal ponto de atenção para as próximas semanas é se o crescimento de Augusto Cury se sustenta ou recua depois do efeito imediato do debate e do início do horário eleitoral. Com apenas 59% de voto consolidado entre seus eleitores, o espaço para oscilação é grande, tanto para cima quanto para baixo, especialmente diante de novos embates na televisão e de mais tempo de exposição para os demais candidatos.
Outro ponto a monitorar é se a ascensão do escritor vai finalmente mexer no segundo turno, hoje travado em empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro pela segunda rodada seguida. Como quase metade do eleitorado de Cury hoje diz migrar para Flávio em um confronto direto, um eventual esgotamento do teto de Cury tende a beneficiar mais o senador do que o presidente, mas o alto porcentual de indefinição, votos em branco e nulo entre esses eleitores (29%) mantém esse cenário em aberto.
Por fim, a piora na avaliação do governo, com o pior saldo entre aprovação e desaprovação desde maio, é um fator estrutural que tende a pesar contra Lula nas próximas rodadas, independentemente do desempenho pontual de Cury ou de outros candidatos.
Fontes: A nova pesquisa BTG/Nexus sobre a disputa Lula x Flávio Bolsonaro, e a surpresa Augusto Cury (VEJA, 31/08/2026)
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