Lula amplia vantagem sobre Flávio, mas enfrenta resistência entre evangélicos e no Sul
Pesquisas Quaest e Ideia, divulgadas na mesma quarta-feira 5 de agosto, apontam Lula na frente de Flávio Bolsonaro num cenário simulado de segundo turno para 2026. Os números gerais são parecidos entre os dois institutos, mas os recortes por gênero, religião, região, renda e idade revelam uma disputa marcada por polarização social profunda, com blocos de eleitores que caminham em direções praticamente opostas.

Cenário geral: dois institutos, uma mesma direção
No levantamento do Ideia, Lula aparece com 48,5% das intenções de voto no segundo turno, contra 43% de Flávio. Em julho, a distância era menor: 45% a 40%. Já o Quaest mostra Lula com 44% e Flávio com 39%, também em ritmo de crescimento para o petista, já que em julho o bolsonarista tinha 37%.
Os dois institutos entrevistaram eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto. O Quaest ouviu 2.004 pessoas, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, registrado no TSE sob o número BR-06591/2026. O Ideia entrevistou 1.500 pessoas, com margem de erro de 2,5 pontos, registrado sob BR-04579/2026-BR. A convergência de metodologia e período de campo é o que dá peso à comparação entre os dois levantamentos, mesmo com diferenças pontuais nos números absolutos.
Onde a disputa se acirra: gênero, religião e região
O recorte por gênero mostra o eleitorado dividido de forma quase espelhada. Entre as mulheres, Lula vence com folga nos dois institutos: 47% a 35% no Quaest e 55% a 34,5% no Ideia. Entre os homens, o resultado se inverte e Flávio passa a liderar: 44% a 40% no Quaest e 52,2% a 41,5% no Ideia.
A religião aparece como um dos recortes mais desiguais de toda a pesquisa. Entre os católicos, Lula tem vantagem confortável nos dois institutos, com 49% a 37% no Quaest e 59,1% a 32,5% no Ideia. Entre os evangélicos, a distância é ainda maior, só que para o lado de Flávio: 48% a 33% no Quaest e um placar de quase três para um no Ideia, com 70,8% a 21,9%.
A geografia também separa o país em dois blocos. No Nordeste, Lula domina nos dois levantamentos, com 64% a 25% no Quaest e 62% a 30,9% no Ideia. No Sul, o cenário se inverte por completo a favor de Flávio, com 56% a 29% no Quaest e 61,4% a 29,5% no Ideia. O Sudeste é a região mais dividida e onde os institutos discordam entre si: o Quaest dá vantagem a Flávio, com 40% a 38%, enquanto o Ideia aponta Lula na frente, com 47% a 44,5%. No Centro-Oeste e Norte, o Quaest mostra Flávio com 44% a 40%, mas o Ideia separa as duas regiões e dá vantagem a Lula em ambas, com 47,5% a 40,8% no Centro-Oeste e 46,9% a 44,5% no Norte.
Renda e idade: o bolso e a geração também dividem o voto
Entre os eleitores de renda mais baixa, Lula lidera com vantagem expressiva nos dois institutos: 54% a 30% no Quaest, na faixa de até dois salários mínimos, e 56,5% a 31,9% no Ideia, na faixa de até um salário mínimo. A partir da faixa intermediária, o quadro se inverte gradualmente. No Quaest, entre dois e cinco salários, Flávio já lidera por 43% a 41%, e na faixa acima de cinco salários amplia para 44% a 36%. No Ideia, a faixa de um a três salários ainda favorece Lula, com 47,7% a 45%, mas nas faixas de três a cinco e acima de cinco salários Flávio assume a liderança, com 53% a 40,1% e 50,3% a 45%, respectivamente.
Por idade, o Quaest mostra um quadro mais equilibrado, com Lula na frente entre os jovens de 16 a 34 anos (44% a 38%) e entre os eleitores com 60 anos ou mais (48% a 34%), enquanto a faixa de 35 a 59 anos aparece empatada em 42% a 42%. Já o Ideia mostra um padrão diferente, com Flávio na frente entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (50,5% a 41%) e de 25 a 34 anos (52,3% a 32%), e Lula recuperando a vantagem a partir dos 35 anos, com 55,6% a 40% na faixa de 35 a 44 anos, 58,1% a 36% na faixa de 45 a 59 anos e 51% a 40,3% entre os eleitores com 60 anos ou mais.
Análise: o que os números indicam para a corrida eleitoral
A leitura conjunta dos dois institutos sugere que a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela média nacional e mais pela composição de cada bloco de eleitores. Analistas de opinião pública que acompanham a série de pesquisas apontam que a combinação entre renda, religião e região funciona como o principal eixo de clivagem da disputa, com o Nordeste e o eleitorado de menor renda sustentando a base de Lula, e o Sul e os evangélicos sustentando a base de Flávio. O Sudeste, por concentrar o maior colégio eleitoral do país e aparecer dividido entre os dois institutos, deve funcionar como fiel da balança até a votação.
A diferença entre os recortes de idade dos dois institutos também chama atenção. Enquanto o Quaest mostra um eleitorado jovem relativamente equilibrado, o Ideia identifica uma vantagem clara de Flávio entre os eleitores de 16 a 34 anos, o que, se confirmado em outras pesquisas, indicaria um movimento geracional relevante para acompanhar nas próximas semanas de campanha.
Perspectivas: o que observar até a eleição
Com margens de erro entre 2 e 2,5 pontos percentuais, boa parte das diferenças entre os subgrupos analisados está fora do intervalo de erro, o que reforça que os padrões identificados não são ruído estatístico. Nas próximas rodadas de pesquisa, o ponto a monitorar é o comportamento do Sudeste, onde os dois institutos ainda divergem sobre quem lidera, e a consolidação (ou não) da vantagem de Flávio entre o eleitorado jovem identificada pelo Ideia. Também vale acompanhar se a vantagem de Lula entre o eleitorado de menor renda se mantém estável à medida que a campanha avança e o debate econômico ganha espaço.
Fontes: CartaCapital, "Lula x Flávio: as diferenças de Quaest e Ideia por idade, gênero, renda, região e religião" (5 de agosto de 2026). Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-x-flavio-as-diferencas-de-quaest-e-ideia-por-idade-genero-renda-regiao-e-religiao/
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