Quaest 31% dos eleitores priorizam emendas e obras na escolha ao Senado
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (10) mostra que quase um terço do eleitorado brasileiro escolhe seu candidato ao Senado pela capacidade de trazer recursos federais e obras para o estado, um critério que supera com folga bandeiras ideológicas e indicações de líderes nacionais.

Contexto e cenário
O Senado brasileiro renovará 54 de suas 81 cadeiras em 2026, o equivalente a dois terços da Casa. Cada estado eleito dois representantes, e cada eleitor vota duas vezes, sempre em candidatos diferentes. A regra de renovação parcial, combinada ao fortalecimento do Congresso nos últimos anos, elevou o peso da chamada "bancada da bala orçamentária": senadores que atuam como intermediários entre o governo federal e a execução de obras nos estados.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que o critério "trazer emendas e obras para o estado" aparece isolado na liderança das prioridades eleitorais, à frente até de fatores típicos da polarização nacional. A pesquisa também revelou que o próprio eleitor tem dúvidas sobre as regras do pleito: apenas 34% souberam informar corretamente que poderão escolher dois senadores neste ano, enquanto outros 34% não souberam responder.
O que mudou: o fato central
Segundo o levantamento, que ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 31 de julho e 3 de agosto, em entrevistas presenciais, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, os atributos mais citados pelos eleitores para decidir o voto ao Senado foram:
Ter foco em trazer emendas e obras para o estado: 31% Ser indicado por Lula: 15% Ser comprometido a votar o fim da escala 6x1: 13% Ser independente da polarização: 12% Ser a favor do impeachment de ministros do STF: 11% Ser indicado por Bolsonaro: 8% Nenhuma dessas opções: 4% Não sabe ou não respondeu: 6%
O critério de emendas e obras lidera em todas as regiões do país, ainda que com intensidade distinta: vai de 28% no Centro-Oeste e no Norte a 41% no Sul. No Nordeste, a indicação de Lula ganha peso adicional, citada por 26% dos entrevistados como fator principal. Já no Sudeste, 14% priorizam a independência do candidato frente à polarização.
O levantamento também mapeou diferenças por perfil de eleitor. Entre os homens, 17% apontam o apoio ao impeachment de ministros do STF como critério decisivo, contra apenas 6% das mulheres. No público mais jovem, 22% dizem que o fim da escala de trabalho 6x1 é o fator mais importante. Entre quem votou em Bolsonaro em 2022, 25% citam o impeachment de ministros do STF como prioridade, enquanto entre os eleitores de Lula esse porcentual cai para 2%. Já entre os que se declaram independentes, 18% valorizam a autonomia do candidato em relação aos dois polos.
Análise: o que os dados revelam
O resultado confirma um padrão recorrente da política brasileira em anos eleitorais marcados por disputa presidencial: o eleitor tende a regionalizar e pragmatizar o voto para o Legislativo, mesmo quando a eleição nacional está polarizada. Analistas eleitorais avaliam que esse comportamento reflete a percepção do eleitor sobre o papel prático do senador, mais associado à capacidade de destravar recursos e obras do que a discursos ideológicos.
Esse tipo de prioridade tende a favorecer candidatos com histórico de execução orçamentária e proximidade com prefeitos e governadores, em detrimento de perfis exclusivamente alinhados a pautas nacionais. Para o mercado, a leitura relevante é indireta, mas não trivial: um Senado eleito sob a lógica de "quem traz mais obra" tende a manter, ou mesmo ampliar, a pressão por execução de emendas parlamentares, tema que já ocupa boa parte do debate fiscal em Brasília e que impacta diretamente o espaço orçamentário disponível para investimentos e políticas de crédito direcionado.
Perspectivas: o que vem a seguir
Com 34% do eleitorado ainda sem saber exatamente quantos senadores poderá escolher neste ano, e outros 34% sem opinião sobre o tema, a corrida ao Senado deve ganhar contornos mais claros nos próximos meses, à medida que candidaturas se consolidam nos estados. A Quaest deve seguir monitorando a evolução desse critério nas próximas rodadas de pesquisa, especialmente à medida que o debate sobre emendas parlamentares e disciplina fiscal avança no Congresso.
Para investidores e gestores que acompanham o cenário político como variável de risco fiscal, o dado reforça um vetor já conhecido: a pressão por execução orçamentária local tende a permanecer como força estrutural do Legislativo eleito em 2026, independentemente do resultado da disputa presidencial.
Fontes: G1 (Quaest: 31% dos eleitores apontam dinheiro e obras para o estado como fator principal no voto para o Senado), pesquisa Genial/Quaest, registro TSE BR-06591/2026
FIDC NEWS
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