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PL oficializa candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência sob pressão jurídica

O Partido Liberal confirmou neste sábado (25) o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República em convenção nacional em São Paulo.

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O anúncio ocorre depois de uma semana marcada por novos desdobramentos jurídicos e por uma trégua ainda instável com a madrasta, Michelle Bolsonaro, e reacende o debate sobre o quanto a direita brasileira consegue se organizar a tempo de disputar a eleição com competitividade.

Contexto: uma pré-campanha desgastada

Flávio entra formalmente na disputa atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto. A candidatura carrega, desde maio, o desgaste provocado por mensagens de áudio vazadas em que o senador pedia recursos a Daniel Vorcaro, empresário que está no centro de uma investigação sobre fraude bancária em grande escala, para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na quinta-feira (23), um ministro do Supremo Tribunal Federal autorizou a Polícia Federal a investigar o episódio, um dia depois de o senador enfrentar acusações separadas envolvendo o Banco Master. Flávio nega qualquer irregularidade, mas o acúmulo de fatos negativos consecutivos tem alimentado a leitura, entre parte do mercado, de que a candidatura chega fragilizada ao início oficial da corrida.

O que mudou: convenção oficializa o nome, mas deixa lacunas

A convenção do PL contou com a presença de aliados internacionais, caso do argentino Javier Milei, que discursou pedindo para "tornar o Brasil grande novamente". Ainda assim, Flávio chega à largada sem vice definido e sem alianças fechadas com partidos de centro, ponto considerado decisivo para viabilizar competitividade eleitoral num cenário de segundo turno.

A assessora econômica da campanha, Daniella Marques, que passou pela equipe do então ministro Paulo Guedes e pela presidência da Caixa Econômica Federal, tem percorrido o setor financeiro defendendo um corte de gastos equivalente a 1,5% do PIB como forma de recompor credibilidade fiscal. A campanha, porém, ainda não apresentou um plano econômico detalhado, o que tem frustrado parte dos investidores ouvidos em eventos recentes do setor.

Michelle Bolsonaro não esteve presente na convenção, mas participou por meio de um vídeo gravado, no qual citou o enteado apenas uma vez, pedindo que Deus abençoasse a ele e à candidatura.

Análise: mercado vê turbulência, mas não descarta a disputa

O episódio dividiu opiniões entre gestores de recursos reunidos em evento de investimentos promovido pela XP em São Paulo. "Esta é uma candidatura muito turbulenta, há muitas notícias ruins pesando sobre ele. A direita está muito frágil", avaliou Renato Jerusalmi, sócio fundador e gestor de carteiras da Riza Asset Management.

Executivos bancários ouvidos sob condição de anonimato divergem sobre o tamanho do dano. Parte deles considera a disputa praticamente definida a favor de Lula, a menos que Flávio desista, hipótese vista como pouco provável enquanto Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar por planejar um golpe após a derrota de 2022, seguir apoiando o filho. Outros investidores, no entanto, ponderam que pouco mudou na dinâmica eleitoral desde que o nome de Flávio passou a ser associado a Vorcaro, e que a vitória de Lula, embora favorita, ainda não está garantida.

Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24) mostra Lula à frente por 5 pontos num cenário de segundo turno, 48% a 43%, com poucas variações em relação aos dois meses anteriores.

Perspectivas: fiscal segue como principal variável de mercado

O pano de fundo econômico continua sendo o maior ponto de atenção dos investidores. Após quatro anos de gastos que levaram o déficit orçamentário nominal a próximo de 10% do PIB, parte da elite empresarial brasileira aposta na derrota de Lula. O governo, por sua vez, lançou um pacote de estímulo neste ano para reforçar a economia e as chances de reeleição, movimento que ampliou as preocupações fiscais e dificultou o trabalho do Banco Central no combate à inflação, mesmo com uma das taxas de juros mais altas do mundo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tentou conter o nervosismo do mercado no evento Expert XP, na sexta-feira, afirmando que o governo fará "o que for necessário" para melhorar as contas públicas e classificando a política fiscal como "a pedra angular de um país forte". Lula deve apresentar diretrizes gerais para um eventual novo mandato na próxima semana, sem detalhamento de plano econômico, segundo pessoas a par do assunto.

Para Jerusalmi, o problema fiscal independe de quem vencer a eleição. "As perspectivas fiscais são péssimas, mas o carro vai bater na parede no ano que vem. Quem quer que seja eleito terá que lidar com isso."


Fonte: Bloomberg Línea, "Flávio Bolsonaro avança com candidatura à Presidência em meio a turbulências na campanha", 25 de julho de 2026.

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