Dólar cai mais de 4%, fica abaixo de R$ 5 e juros futuros desabam após o 1º turno
O mercado reagiu ao primeiro turno com o maior alívio de preços do ano, e a curva de juros mudou o custo do crédito privado.

As notícias de FIDCs e crédito estruturado, direto no seu e-mail.
A abertura desta segunda-feira (5) mostrou como o mercado leu o resultado das urnas. Com Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT) no primeiro turno, o dólar recuou mais de 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5. Os contratos de DI caíram perto de 100 pontos-base nos vencimentos mais longos. Para quem estrutura, distribui ou investe em FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), a queda das taxas de referência mexe ao mesmo tempo com custo de captação, marcação a mercado e apetite por risco de crédito.
O cenário: eleição polarizada e prêmio de risco elevado
O primeiro turno das eleições de 2026, realizado no domingo (4), terminou com Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Segundo o Poder360, o senador teve cerca de 5 milhões de votos a mais do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.
Nas semanas anteriores à votação, os ativos brasileiros carregavam um prêmio de risco ligado à incerteza fiscal e eleitoral. Esse prêmio aparecia no câmbio pressionado e numa curva de juros inclinada, com taxas longas acima de 13% ao ano. Para o crédito privado, isso significa custo de oportunidade alto: quando o título público paga muito, o investidor cobra spreads maiores para ficar exposto a risco de originadores, cedentes e sacados.
O resultado de domingo, junto com a mudança na composição do Congresso, levou o mercado a reprecificar parte desse prêmio logo na abertura.
O fato central: câmbio, bolsa e curva em movimento forte
Às 9h35, o dólar à vista caía 4,52%, cotado a R$ 4,98, segundo o Poder360. A mínima do dia chegou a R$ 4,974, e às 9h48 a moeda era negociada a R$ 4,994, em queda de 4,24%.
Os juros futuros fizeram o movimento mais relevante para o mercado de crédito. De acordo com a CNN Brasil, às 9h37 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,735%, queda de 77 pontos-base ante o ajuste anterior de 13,509%. Os contratos mais longos abriram com baixas perto de 100 pontos-base.
Na renda variável, o Ibovespa futuro subia 8%. No pré-mercado em Nova York, os recibos de ações brasileiras também avançavam com força: Itaú Unibanco +12%, Bradesco +11%, Petrobras e Nubank +10%, Embraer e Mercado Livre +6%.
Análise: o que muda para FIDC e crédito privado
"O desempenho (de Bolsonaro) acima do esperado e a guinada à direita no Congresso devem apoiar o Ibovespa e exercer pressão baixista sobre os rendimentos de longo prazo", afirmou à CNN Brasil Andrés Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics.
Para a indústria de FIDC, o efeito chega por três canais. O primeiro é a marcação a mercado: fundos e cotas com remuneração prefixada ou carteiras de recebíveis com taxas travadas ganham valor quando a curva cai. O segundo é o custo de captação. Uma curva mais baixa reduz a taxa de referência das novas emissões de cotas sênior e mezanino e pode abrir espaço para operações que estavam paradas por custo. O terceiro é a competição por recursos. Com o título público pagando menos, o spread do crédito estruturado fica mais atrativo em termos relativos, o que tende a favorecer a demanda de investidores qualificados e institucionais.
O câmbio também conta. Um real mais forte alivia custos de insumos importados para empresas cedentes, sobretudo no agronegócio e na indústria, o que pode melhorar o fluxo de caixa e a qualidade dos recebíveis cedidos aos fundos.
Perspectivas: um movimento que depende do segundo turno
O movimento desta segunda-feira é uma reprecificação de expectativas, não uma mudança nos fundamentos. Até 25 de outubro, a curva de juros e o câmbio devem seguir sensíveis a pesquisas, alianças e sinais sobre política fiscal dos dois candidatos. A volatilidade tende a continuar alta nas próximas três semanas.
Para gestores de FIDC, os pontos a acompanhar são a manutenção das taxas longas abaixo de 13%, o efeito sobre as projeções de inflação e de Selic (que costuma aparecer primeiro na Focus e na precificação do Copom) e o ritmo de novas emissões no mercado primário. Se o alívio se mantiver, a janela de captação do quarto trimestre pode ser mais favorável do que o mercado projetava há uma semana. Se reverter, quem antecipou emissões em taxas mais baixas terá travado um custo melhor.
Fontes: Poder360 (poder360.com.br/poder-economia/dolar-cai-mais-de-4-e-fica-abaixo-dos-r-5-apos-1o-turno/)
Newsletter FIDC News
Não perca a próxima edição
As movimentações do mercado de FIDCs, securitização e recebíveis, com a análise do FIDC News, no seu e-mail.
Gratuita. Você cancela quando quiser. Veja a Política de Privacidade.

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado. Nossas matérias devem ser entendidas como boletins informativos e divulgadores de insights setoriais, não configurando recomendação de investimento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








