Juros futuros caem 1 p.p. após 1º turno e dívida pode custar R$ 66 bi a menos
O alívio na curva de juros após o 1º turno melhora a conta da dívida pública e muda o custo do crédito privado.

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A curva de juros futuros recuou cerca de 1 ponto percentual na segunda-feira (5.out.2026), um dia depois do primeiro turno das eleições. Pelos parâmetros do Banco Central, se as taxas ficarem nesse nível, o custo da dívida pública cai R$ 65,8 bilhões. Para quem estrutura, origina ou investe em FIDC, o movimento mexe diretamente no CDI esperado, no custo de captação e na precificação dos recebíveis.
O cenário: uma curva que vinha pressionada
Os juros futuros mostram o que o mercado espera para as taxas de juros nos próximos anos. Eles são medidos principalmente pelos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) negociados na B3. Mesmo com a Selic já em ciclo de cortes, a curva vinha embutindo um prêmio de risco alto. Depois da reunião de setembro, a taxa básica está em 13,75% ao ano.
O prêmio vinha principalmente da incerteza fiscal. Com a dívida bruta em trajetória de alta, os investidores cobravam mais para financiar o Tesouro em prazos longos. Esse custo se espalha pelo sistema: serve de referência para o crédito bancário, para as debêntures e para as cotas de FIDC, cuja remuneração costuma ser atrelada ao CDI mais um spread.
O Banco Central publica nas Estatísticas Fiscais uma regra de sensibilidade da dívida às variações de juros. Com base no relatório de agosto, divulgado em 30 de setembro, a queda de 1 ponto percentual se traduz na economia estimada de R$ 65,8 bilhões, segundo levantamento do Poder360.
O fato: a curva desinclinou em um único pregão
O resultado do primeiro turno teve Flávio Bolsonaro (PL) com 47,03% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45,16%. O mercado reagiu de imediato. A leitura predominante entre os investidores é que um eventual governo Flávio seria mais disciplinado nas contas públicas e abriria espaço para o Banco Central acelerar os cortes da Selic.
O alívio se concentrou nos vencimentos intermediários e longos. Segundo dados de fechamento compilados pela InfoMoney:
DI janeiro/2027: 13,413% (queda de 0,097 p.p.)
DI janeiro/2028: 12,710% (queda de 0,755 p.p.)
DI janeiro/2029: 12,650% (queda de 1,040 p.p.)
DI janeiro/2031: 12,700% (queda de 1,220 p.p.)
O resto do mercado acompanhou. O Ibovespa subiu 7,70% e fechou em 206.911 pontos, depois de bater a máxima histórica de 209.605 pontos durante o pregão. Foi a maior alta diária desde março de 2020. O dólar caiu 4,12% e fechou em R$ 5,00. As empresas listadas ganharam quase R$ 500 bilhões em valor de mercado.
O Poder360 comparou a economia projetada com outras despesas. Ela equivale a quase 3 vezes o custo do reajuste de 15,04% do Bolsa Família em 2027 (R$ 22,7 bilhões). Também supera o impacto do aumento de R$ 120 no salário mínimo (R$ 54,6 bilhões).
Análise: o que muda para o mercado de FIDC
Para a indústria de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), a queda da curva tem três efeitos práticos. O primeiro é o custo de captação. Com o CDI projetado mais baixo, cai a remuneração das cotas sênior indexadas ao CDI e o crédito fica mais barato para os cedentes, as empresas que vendem seus recebíveis ao fundo. Isso tende a estimular a originação.
O segundo efeito é a marcação a mercado. Carteiras com recebíveis prefixados ganham valor quando a taxa de desconto cai, o que favorece fundos com prazos médios mais longos. O terceiro é a compressão de spreads. Com o investidor menos avesso ao risco, há espaço para emissões em condições melhores, mas também mais disputa por bons ativos.
Economistas ouvidos pela imprensa destacam o componente fiscal do movimento. "O resultado melhorou as perspectivas sobre a trajetória da dívida pública, ancorando a confiança do mercado em condições econômicas mais estáveis a partir de 2027", avaliou Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, à CNN Brasil. Andrés Abadia, economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics, disse à CNN Brasil que a mudança na composição do Congresso deve "pressionar para baixo os juros de longo prazo".
Há também um alerta. "Estamos diante de um mercado que comprou uma expectativa, e o risco de todo movimento assim é a distância entre o que foi precificado e o que será entregue", afirmou André Matos, CEO da MA7 Capital, à InfoMoney.
Perspectivas: o que monitorar até o 2º turno
A economia de R$ 65,8 bilhões é uma projeção e depende de as taxas ficarem nesse patamar. O segundo turno, em 25 de outubro, é o principal ponto de volatilidade. Uma pesquisa desfavorável ou um sinal fiscal confuso pode desfazer parte do movimento em poucos pregões.
Para gestores e investidores de FIDC, o momento pede atenção a três frentes:
Próximas decisões do Copom: elas devem confirmar, ou não, o espaço para cortes que a curva já precificou.
Janela de emissões: com o custo menor, novas emissões e renegociações podem ganhar velocidade.
Marcação de carteiras prefixadas: a valorização recente pode se inverter se o prêmio de risco voltar.
Se a leitura fiscal se confirmar, o crédito privado tende a entrar em 2027 com custo de capital mais baixo e mais apetite do investidor.
Fontes: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-economia/efeito-flavio-derruba-juro-e-pais-economiza-r-66-bilhoes-com-divida/)
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