FIC FIDC IOX 90 rende 141% do CDI e reforça a força do crédito estruturado
Enquanto a indústria de FIDCs caminha para o marco de R$ 1 trilhão em patrimônio, um fundo ligado ao Grupo IOX entrega, em base anual, retorno equivalente a quase 20% ao ano.

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O FIC FIDC IOX 90, fundo de cotas geridas pela Tercon Investimentos com estrutura de crédito montada pela OXSS Securitizadora, reportou retorno equivalente a 141% do CDI em comparação anual, segundo levantamento publicado pelo SpaceMoney. O resultado reacende o debate sobre o espaço que o crédito estruturado vem conquistando dentro das carteiras de investidores qualificados, num momento em que a indústria de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) bate recordes sucessivos de captação e se aproxima da marca histórica de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido.
Crédito estruturado ganha espaço na renda fixa
Os FIDCs deixaram de ser um produto de nicho técnico, restrito a especialistas em securitização, para se tornar uma das principais vias de diversificação dentro da renda fixa brasileira. O movimento tem explicação em dois planos. No plano macro, o mercado de crédito atravessou períodos de aperto em que linhas bancárias tradicionais ficaram mais caras ou simplesmente se fecharam para empresas de médio porte, abrindo espaço para que fundos de recebíveis financiassem diretamente a economia real. No plano regulatório, a Resolução CVM 175 impôs uma arquitetura mais rígida de governança aos fundos estruturados, com controles mais robustos, relatórios padronizados e maior transparência na comunicação com o investidor, o que analistas classificam como um ponto de inflexão para o setor.
O resultado apareceu nos números. Em maio de 2026, o patrimônio líquido da indústria de FIDCs somava R$ 754 bilhões, alta de 10% em doze meses. As emissões primárias do segmento saltaram 36,5% no primeiro semestre do ano, para R$ 41,7 bilhões, na direção oposta ao movimento das debêntures, que recuaram 5,9% no mesmo período. Em abril, mês em que a renda fixa como um todo registrou saída líquida de R$ 16,3 bilhões, os FIDCs bateram recorde de captação mensal, atraindo R$ 4,5 bilhões, o que evidencia a migração de investidores em busca de retornos acima do CDI justamente nos momentos de maior volatilidade.
O fato central: um fundo qualificado que entrega quase 20% ao ano
É nesse cenário que o desempenho do FIC FIDC IOX 90 ganha relevância. Constituído em agosto de 2023, com CNPJ 50.901.127/0001-50, o fundo é voltado a investidores qualificados que buscam rentabilidade superior ao CDI, conforme descrito na documentação oficial do Grupo IOX. A gestão da carteira é feita pela Tercon Investimentos, enquanto a Singulare Corretora de Títulos e Valores Mobiliários atua como administradora e custodiante, e a OXSS Securitizadora é responsável pela estruturação e consultoria de crédito das operações que compõem a carteira.
Com o CDI rodando na casa de 13,9% ao ano em setembro de 2026, segundo dados de mercado, um retorno equivalente a 141% do indexador em base anual representa algo próximo de 19,6% ao ano líquidos de variação do indexador, patamar bem acima do que costuma ser entregue por CDBs e fundos DI tradicionais. Esse tipo de prêmio é típico de fundos que assumem exposição a crédito privado estruturado, com originação selecionada de direitos creditórios e camadas de subordinação de cotas que absorvem eventuais perdas antes de atingir o investidor da cota sênior, mecanismo que explica boa parte do diferencial de retorno em relação a produtos bancários tradicionais.
O que dizem os especialistas do setor
A dimensão da governança tem sido tratada pelo mercado como o principal fator de confiança para sustentar esse crescimento. Vicente Gueraldi, diretor de Relações com Investidores do Grupo IOX, avalia que a elevação dos requisitos de transparência sob a nova regulação colocou a área de RI no centro da estrutura de governança dos fundos de crédito estruturado, papel que, segundo ele, passou a integrar a espinha dorsal da relação entre gestores e cotistas. A leitura de analistas do setor é de que fundos capazes de demonstrar processos claros de seleção de crédito, monitoramento de inadimplência e comunicação frequente com o investidor tendem a ser os que sustentam retornos elevados sem comprometer a qualidade da carteira no médio prazo.
Perspectivas: crescimento robusto, mas com alertas de risco
O apetite por crédito estruturado deve continuar em alta enquanto o diferencial de retorno sobre o CDI permanecer atrativo e a Selic seguir em patamar elevado. Ainda assim, o próprio ritmo acelerado de captação, que levou o setor a somar R$ 30,6 bilhões em recursos recentes segundo dados da Forbes, tem acendido sinais de alerta entre reguladores e analistas quanto a fraudes na originação de recebíveis e ao aumento da inadimplência em algumas carteiras, especialmente entre fundos menos seletivos que buscam volume às pressas para capturar a demanda do investidor.
Para gestores como Tercon Investimentos e estruturas como a do Grupo IOX, o desafio será manter o padrão de seleção de crédito e de transparência que sustentou o retorno de 141% do CDI mesmo com a indústria em expansão acelerada rumo ao trilhão de reais em patrimônio. Investidores qualificados que avaliam entrada em fundos desse tipo devem monitorar, além da rentabilidade histórica, a qualidade da carteira de recebíveis, o nível de subordinação entre as classes de cotas e a frequência dos relatórios de gestão exigidos pela CVM 175, itens que devem se tornar cada vez mais determinantes para diferenciar bons fundos de crédito estruturado dos que apenas surfam o ciclo de demanda.
Fontes: SpaceMoney
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