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Morgan Stanley eleva otimismo com América Latina e mantém Brasil como preferido

.fnFIDC NEWS 20/07/20264 min de leituraSem comentários
Morgan Stanley eleva otimismo com América Latina e mantém Brasil como preferido
Morgan Stanley eleva otimismo com América Latina e mantém Brasil como preferido

O Morgan Stanley identificou uma combinação de fatores que pode abrir um novo ciclo de valorização para os ativos latino-americanos nos próximos meses. Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o banco aponta juros globais, cenário político e investimentos em inteligência artificial (IA) como os principais vetores da tese, com o Brasil ocupando, de novo, o topo das preferências regionais.

O que o Morgan Stanley está vendo

Segundo o banco, a América Latina reúne hoje um posicionamento ainda leve dos investidores globais, inflação mais comportada e valuations atrativos, um conjunto de condições que, somado à expansão dos investimentos ligados à IA, cria terreno favorável para as bolsas da região. Para gestores de crédito privado e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), esse pano de fundo importa porque o custo de capital, o apetite por risco em emergentes e a trajetória dos juros locais têm relação direta com o desempenho de carteiras de crédito, a precificação de cotas subordinadas e o apetite dos originadores por novas cessões.

No caso brasileiro, o banco mantém recomendação overweight, ou seja, exposição acima da média do mercado, equivalente a uma posição de compra. Segundo os estrategistas Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, o principal fator de curto prazo para os mercados emergentes continua sendo a política monetária dos Estados Unidos. O mercado ainda projeta novas altas de juros por parte do Federal Reserve, mas o Morgan Stanley não espera elevações em 2026. Se esse cenário se confirmar, o fluxo para emergentes pode ganhar força.

Inflação, juros e eleição no radar

O relatório descreve o cenário doméstico brasileiro como "nem muito quente, nem muito frio": a inflação segue trajetória mais benigna e a economia dá sinais de desaceleração gradual, uma combinação que, na leitura do banco, tende a favorecer as ações locais e abrir espaço para a retomada do ciclo de afrouxamento monetário. Para o mercado de crédito, essa é justamente a variável que mais pesa: juros mais baixos tendem a reduzir o custo de captação dos FIDCs e aliviar a inadimplência nas carteiras de recebíveis, ainda que o banco não trate diretamente desse mercado no relatório.

O cenário eleitoral também entrou na análise. O Morgan Stanley afirma que as pesquisas para a disputa presidencial de 2026 passaram a mostrar um quadro mais equilibrado, o que aumenta a percepção de que o país pode caminhar para uma composição de políticas mais amigável ao mercado. O banco ressalva, no entanto, que a eleição segue altamente competitiva e continuará sendo um dos principais riscos para os ativos brasileiros até outubro.

Do lado dos preços, o mercado brasileiro negocia a cerca de 8,5 vezes o lucro projetado, aproximadamente um desvio padrão abaixo da média histórica, patamar que a instituição considera atrativo. O banco avalia ainda que as expectativas para os resultados corporativos já foram ajustadas para níveis mais realistas após a deterioração observada nos balanços do primeiro trimestre.

Posicionamento ainda baixo e espaço para fluxo

Um ponto chave da tese é o posicionamento dos investidores globais em Brasil, que permanece relativamente baixo. Fundos globais dedicados a mercados emergentes mantinham posição comprada equivalente a 1,7% acima do índice de referência em maio, abaixo dos 2,3% observados em março. Para o Morgan Stanley, essa subalocação cria espaço para uma eventual recomposição de posições caso o cenário internacional se torne mais favorável, o que tende a se traduzir em mais liquidez para os ativos brasileiros de forma geral.

Além do Brasil, o banco vê o México em estágio inicial de recuperação do investimento, impulsionado pelo Plano México e pela retomada de investimentos industriais nos Estados Unidos. Argentina e Chile também aparecem como beneficiários da retomada de projetos de infraestrutura, mineração e energia, movimento que os estrategistas chamam de "primavera andina". Como estratégia regional, o Morgan Stanley mantém overweight para Brasil e Argentina, posição neutra (equal weight) para México e Chile, e sugere exposição a temas de IA por meio de energia, minerais e empresas com histórias específicas de crescimento.

O que dizem os estrategistas

"O principal fator de curto prazo para os mercados emergentes continua sendo a política monetária dos Estados Unidos", avaliam Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, do Morgan Stanley, ao destacar que a ausência de novas altas do Fed em 2026 seria um gatilho relevante para o fluxo em direção aos emergentes.

Perspectivas

O banco elenca dois riscos centrais para essa visão positiva: uma eventual alta de juros pelo Fed e o aumento das incertezas políticas no Brasil às vésperas das eleições de outubro de 2026. Para investidores institucionais e gestores de crédito, o desenrolar desses dois pontos, política monetária americana e clima eleitoral doméstico, deve continuar sendo o principal termômetro para calibrar exposição a risco Brasil nos próximos meses, incluindo a leitura sobre juros que influencia diretamente o mercado de crédito privado.


Fonte: InfoMoney

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