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Notícias

BluSun Capital compra Ri Happy da SPX e traz de volta Héctor Núñez ao comando

Movimento de private equity reacende debate sobre reestruturação de dívida no varejo infantil.

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários

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A gestora BluSun Capital adquiriu 100% do Grupo Ri Happy junto à SPX Capital, encerrando um ciclo de cinco anos sob controle da gestora fundada por Rogério Xavier. O valor da operação não foi divulgado, mas o anúncio já vem acompanhado de uma mudança relevante na liderança: Héctor Núñez, que comandou a companhia entre 2012 e 2020, retorna ao cargo de CEO no lugar de Thiago Rebello, que estava à frente da operação desde fevereiro de 2024.

Contexto e cenário


A Ri Happy foi fundada em 1988 por Ricardo Sayon, Juanita Sayon e Roberto Saba, e se consolidou como uma das maiores redes de varejo infantil do país. Em 2012, a gestora Carlyle entrou no capital da empresa, adquirindo 85% da companhia em uma transação estimada em cerca de R$ 500 milhões. Poucos meses depois, a Carlyle também comprou a PBKids, formando uma rede combinada com aproximadamente 175 lojas.

Em 2018, a companhia chegou a estudar um IPO, com avaliação esperada entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão, movimento que não se concretizou. A gestão do ativo passou para a SPX Capital em 2021, marcando o início do ciclo que agora chega ao fim com a venda para a BluSun.

O período sob a SPX não foi isento de desafios financeiros. Em 2023, a Ri Happy renegociou R$ 289 milhões em dívidas junto a nove instituições financeiras, entre elas Banco do Brasil, Santander e BV. No mesmo ano, a própria Carlyle, ainda com participação residual na estrutura, injetou R$ 75 milhões para repor estoques da rede. O período também foi marcado pelo fechamento de cerca de 20 lojas. Ainda assim, a companhia fechou 2023 com GMV de R$ 2,1 bilhões e uma base de 297 lojas, sendo 97 delas operadas em regime de franquia.

O que mudou


A operação anunciada em 31 de agosto de 2026 tem como compradora a BluSun Capital, uma holding de instituições não financeiras constituída em São Paulo em 21 de agosto de 2026, apenas dez dias antes do anúncio. Trata-se da primeira transação divulgada sob essa marca, e até o momento não há portfólio público da gestora nem identificação dos investidores por trás da estrutura.

A mudança de controle vem acompanhada da saída de Thiago Rebello, que esteve à frente da Ri Happy desde fevereiro de 2024, e do retorno de Héctor Núñez ao cargo de CEO, seis anos após deixar a posição que ocupou entre 2012 e 2020. Núñez soma passagens executivas relevantes no varejo e no consumo: foi presidente da Walmart Brasil entre 2008 e 2010, ocupou funções executivas na Coca-Cola e, mais recentemente, foi presidente da Novonor (ex-Odebrecht) entre março de 2022 e abril de 2024. Atualmente integra os conselhos de Raia Drogasil, Vulcabras e Lojas Marisa.

O momento da transação chama atenção por anteceder o trimestre mais relevante do calendário de varejo infantil, que concentra Dia das Crianças, Black Friday e Natal, período que costuma responder pela maior parte do faturamento anual do setor.

Análise


Do ponto de vista de estruturação de capital, o caso Ri Happy ilustra um padrão recorrente em ativos que passam por sucessivos ciclos de private equity: renegociação de dívida bancária, aportes pontuais de acionistas para capital de giro e, eventualmente, a venda do controle para uma nova gestora disposta a assumir o turnaround. Para o mercado de crédito estruturado, operações como essa são relevantes porque companhias com histórico de renegociação de dívida costumam ser originadoras ou tomadoras frequentes de estruturas de FIDC e outros instrumentos de securitização de recebíveis, sobretudo em cadeias de varejo com múltiplos fornecedores e um calendário sazonal concentrado.

Analistas de mercado avaliam que o retorno de um executivo com histórico na própria companhia tende a ser lido como sinal de continuidade estratégica em um momento sensível, já que a proximidade do quarto trimestre deixa pouca margem para períodos de adaptação de uma nova liderança.

A ausência de informações sobre o valor da transação e sobre os investidores por trás da BluSun Capital, criada há apenas dez dias antes do anúncio, também desperta atenção do mercado. A falta de portfólio público e de histórico da gestora é um ponto que tende a ser monitorado por credores e fornecedores da rede nos próximos meses.

Perspectivas


Os próximos passos a serem observados incluem eventuais atualizações sobre a estrutura de capital da Ri Happy sob o novo controlador, o posicionamento da BluSun Capital diante de outros ativos e investidores, e o desempenho da rede no trimestre decisivo que se aproxima. Para o mercado de crédito privado, vale acompanhar se a mudança de controle trará também uma revisão nas condições de financiamento e nas garantias associadas às dívidas renegociadas em 2023, além de possíveis novas rodadas de negociação com fornecedores diante da troca de gestão.


Fontes: Neofeed (neofeed.com.br), matéria de Sérgio Vieira, publicada em 31/08/2026
Categoria sugerida: Empresas
Tags sugeridas: FIDC, Ri Happy, private equity, SPX Capital, BluSun Capital, varejo, reestruturação de dívida

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