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Ume capta R$ 500 milhões em FIDCs com Itaú, Bradesco e XP e mira R$ 2 bilhões em 2026
A Ume, fintech de infraestrutura de crédito, concluiu uma nova captação de R$ 500 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), estruturas que reúnem recebíveis originados por empresas e os transformam em cotas oferecidas a investidores institucionais. A operação teve demanda superior ao volume ofertado e reforça o apetite do mercado por crédito privado ligado ao varejo, num momento em que a companhia projeta movimentar R$ 2 bilhões em transações ao longo de 2026.

Contexto: FIDCs ganham espaço como funding de fintechs de crédito
O FIDC é o veículo pelo qual uma fintech converte a carteira de crédito que originou em um ativo negociável no mercado de capitais. Em vez de manter os recebíveis no próprio balanço, a empresa cede esses direitos creditórios ao fundo, que capta recursos de investidores para financiar novas operações. É esse mecanismo de cessão de crédito que permite a fintechs como a Ume crescer sem depender exclusivamente de capital próprio ou de linhas bancárias tradicionais.
O uso desse instrumento tem crescido de forma consistente no Brasil. Segundo dados da Anbima citados na matéria original, o volume captado em FIDCs somou R$ 30,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. Pesquisa da PwC também mencionada mostra que a participação dos FIDCs como fonte de funding para fintechs evoluiu de 15% para 25% em pouco tempo, com 65% das fintechs consultadas já tratando o instrumento como fonte prioritária de capital. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que a nova rodada da Ume atraiu mais investidores do que vagas disponíveis.
O que mudou: nova captação reúne seis instituições financeiras
A Ume atua como infraestrutura financeira terceirizada para varejistas, marketplaces e prestadores de serviço que querem oferecer crédito direto ao consumidor sem montar uma operação própria de risco e cobrança. A empresa fornece a plataforma, a análise de crédito e o acesso a capital, usando inteligência artificial em etapas como concessão, precificação, cobrança e atendimento. A companhia nasceu de uma tese de doutorado em IA aplicada a crédito e tem como CTO Berthier Ribeiro-Neto, fundador da Akwan (adquirida pelo Google) e que liderou engenharia na companhia americana por 20 anos.
A nova captação de R$ 500 milhões foi estruturada pela gestora Milenio Capital e reuniu Itaú, Bradesco e a XP, por meio da gestora Augme, além da Verde e da Credit Saison. O movimento é uma ampliação relevante em relação ao início do ano, quando a Ume havia captado R$ 150 milhões em um FIDC, e a um fundo anterior de US$ 20 milhões. "Iniciamos o ano com um FIDC de R$ 150 milhões e a forte demanda dos parceiros acelerou essa nova captação", afirmou Theo Ramalho, cofundador da Ume.
Hoje a empresa está presente em 10 mil pontos de venda e atende 4 milhões de consumidores. Com o novo aporte, a Ume estima gerar mais de R$ 1 bilhão em receita adicional para seus parceiros varejistas, um efeito direto do maior volume de crédito disponível para ser concedido no ponto de venda.
Análise: aporte chega em momento desafiador para o varejo
Para o mercado de FIDCs, o caso da Ume ilustra como gestoras e bancos têm buscado exposição a carteiras de crédito ao consumo originadas por fintechs especializadas, especialmente quando essas fintechs demonstram capacidade técnica de análise de risco. A presença de Itaú e Bradesco ao lado de gestoras independentes como Milenio Capital e Augme, ligada à XP, sinaliza que o instrumento deixou de ser restrito a nichos e passou a atrair players de peso do sistema financeiro tradicional.
Ramalho destacou que o aporte ocorre em um contexto desafiador para o varejo, marcado por juros elevados e incertezas econômicas. Nesse cenário, a leitura do mercado é que o crédito bem estruturado, com processos de análise e cobrança apoiados em dados, tende a se tornar ainda mais relevante como ferramenta de conversão de vendas para o varejista, e não apenas como um produto financeiro acessório.
Perspectivas: caminho até os R$ 2 bilhões em 2026
A Ume projeta que os parceiros varejistas que utilizam sua infraestrutura possam ampliar as vendas em até 15% e dobrar o lucro esperado nas operações de crédito, efeito da maior disponibilidade de capital para financiar o consumo no ponto de venda. Para chegar à meta de R$ 2 bilhões em transações em 2026, a companhia deverá seguir ampliando sua base de parceiros e mantendo o ritmo de captação junto a bancos e gestoras.
O ponto a monitorar segue sendo o comportamento do crédito ao consumidor em um ambiente de juros elevados. Como as estruturas de FIDC dependem diretamente da qualidade dos recebíveis cedidos pelos originadores, o desempenho da carteira de crédito construída pela Ume ao longo do ano será o indicador mais direto de que a aposta dos investidores em torno dos R$ 500 milhões recém captados está de fato se traduzindo em retorno.
Fontes: Startupz Categoria sugerida: Empresas Tags sugeridas: FIDC, Ume, crédito privado, fintech, Itaú, Bradesco, XP, Milenio Capital
FIDC NEWS
O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.
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