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Crédito privado

Vixtra capta R$ 50 milhões para expandir crédito colateralizado por importação

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários
Vixtra capta R$ 50 milhões para expandir crédito colateralizado por importação

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A Vixtra, fintech que se posiciona como o banco dos importadores brasileiros, fechou uma Série A de R$ 50 milhões para acelerar o desenvolvimento de novos produtos, incluindo o uso de stablecoins em operações de câmbio e empréstimo. A rodada foi liderada pela Valor Capital, já investidora da companhia, com participação de Headline, NXTP, Actyus, Bluestone e Simma Capital.

Contexto: um mercado ainda analógico

Fundada em 2021, a Vixtra nasceu da combinação entre a experiência de Leonardo Baltieri em investment banking e os 20 anos de atuação de Guilherme Rosenthal e Caio Gelfi no mercado de exportação e importação. A tese central dos fundadores é que o comex brasileiro ainda opera de forma pouco digitalizada, com papel, sistemas legados e baixa penetração de tecnologia de gestão.

Esse diagnóstico levou a companhia a desenvolver primeiro um software de gestão de importações, capaz de acompanhar todo o processo logístico do início ao fim. A partir dos dados gerados por essa ferramenta, a Vixtra passou a construir camadas de trade banking, oferecendo produtos financeiros a um público que os bancos tradicionais atendem de forma limitada.

O modelo de crédito: carga como colateral

O ponto central do modelo de negócio é a concessão de capital de giro tendo como garantia a própria mercadoria em trânsito, algo que, segundo os fundadores, os grandes bancos não fazem. Enquanto instituições tradicionais costumam exigir duplicatas, imóveis ou valores em conta como colateral, a Vixtra estrutura operações lastreadas na carga do importador.

Na prática, a companhia financia em média 70% do valor da carga, mas utiliza a totalidade da mercadoria como garantia. Em caso de inadimplência, a Vixtra trava a carga no próprio porto e a revende para outro importador de sua base, mecanismo que os fundadores apontam como responsável pela baixa taxa de perdas da carteira.

Os números da operação já são relevantes para o segmento de crédito estruturado voltado a comex. A Vixtra emprestou para mais de 200 importadoras e mantém hoje uma carteira de crédito de R$ 250 milhões, com prazo médio de 90 dias por operação, o que projeta um volume anualizado próximo de R$ 1 bilhão. O ARR (receita mensal recorrente anualizada) atingiu US$ 12 milhões no mês passado, equivalente a cerca de R$ 60 milhões no câmbio atual, com crescimento de 2,5 vezes na comparação anual.

A companhia também opera no câmbio para importadores, oferecendo, segundo os fundadores, taxas mais competitivas e processos mais rápidos do que os grandes bancos. Nesse segmento, ao contrário do crédito, a Vixtra se posiciona como concorrente direta dos bancões, disputando o fluxo cambial do cliente.

O que dizem os fundadores sobre o posicionamento

Para Guilherme Rosenthal, cofundador da Vixtra, a diferença competitiva está na forma como a companhia enxerga o ativo do importador. "A gente permite usar a carga que o importador tem, e que está em trânsito, transformando isso num ativo para as empresas", afirmou. Ele também destacou o mecanismo de recuperação de garantia como pilar da baixa inadimplência da carteira: "mesmo se temos que vender a carga com desconto, é muito difícil não conseguirmos recuperar o valor".

Leonardo Baltieri reforça que a Vixtra não busca substituir os bancos no crédito tradicional, mas ocupar um espaço complementar. "Nossos clientes são bancarizados e continuam usando os bancos para fazer desconto de duplicata e pegar crédito usando imóveis. Mas esse importador normalmente precisa de mais capital de giro e usa a Vixtra como solução adicional para pegar um crédito colateralizado a uma boa taxa", disse.

Do ponto de vista de quem acompanha estruturas de crédito lastreadas em ativos reais, o modelo da Vixtra dialoga com uma lógica já familiar ao mercado de FIDC: transformar um recebível ou um ativo subjacente, nesse caso a mercadoria importada, em garantia estruturada para uma operação de crédito, com regras claras de execução em caso de default.

Perspectivas: rumo a um banco completo para comex

Os recursos da nova rodada serão direcionados à ampliação da equipe comercial e a investimentos em tecnologia, com foco em três frentes de curto prazo: câmbio com stablecoin, empréstimo com stablecoin e uma conta global, todos já em versão beta e com lançamento oficial previsto para os próximos meses.

A meta comercial é elevar o ritmo de aquisição de clientes de cerca de 10 para 20 a 30 novos importadores por mês, com maior investimento em marketing e time comercial. No médio prazo, os fundadores planejam lançar produtos como seguro e hedge cambial, ampliando o escopo da companhia. "Nossa ideia é nos transformar em um banco completo para o importador e exportador", resumiu Rosenthal.

Para o mercado de crédito privado, o caso da Vixtra é um exemplo de como fintechs de nicho seguem estruturando operações colateralizadas fora do radar tradicional dos bancos, um movimento que tende a interessar gestores em busca de novas fontes de originação de crédito estruturado ligado à economia real.


Fonte: Brazil Journal, "A Vixtra quer ser o banco dos importadores. Esta rodada é um primeiro passo", publicado em 17 de junho de 2026

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