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Alíquotas da reforma tributária seguem indefinidas a poucos meses de 2027

Empresas correm contra o relógio para se adaptar a tributos cujas alíquotas definitivas ainda não foram fechadas pelo governo.

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários

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A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o Imposto Seletivo passam a ser cobrados de forma efetiva em 2027, mas os percentuais definitivos desses tributos podem só ser conhecidos em dezembro deste ano, segundo reportagem publicada pelo JOTA nesta quarta-feira (2/9). O intervalo curto entre a definição das alíquotas e a entrada em vigor da cobrança preocupa empresas de diversos setores, que precisam ajustar sistemas de precificação, contratos e projeções financeiras sem saber, ainda, qual será o peso exato da nova tributação sobre suas operações.

Contexto: uma reforma em transição


A reforma tributária sobre o consumo, instituída pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada em grande parte pela Lei Complementar 214/2025, substitui tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por um modelo dual de IVA (Imposto sobre Valor Agregado): o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal, e a CBS, de competência federal. Soma-se a esse arranjo o Imposto Seletivo, tributo extrafiscal que recai sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e alguns tipos de combustíveis.

O cronograma de transição prevê 2026 como ano de testes, com alíquotas simbólicas para calibrar o sistema, e 2027 como o primeiro ano de cobrança efetiva de CBS e Imposto Seletivo. Já o IBS terá implementação gradual até 2033, quando os tributos antigos serão definitivamente extintos. É justamente esse cronograma apertado que hoje pressiona empresas, contadores e gestores financeiros a acelerar a adaptação de processos internos.

O que mudou: prazo curto entre definição e cobrança


Segundo a reportagem, os percentuais definitivos das alíquotas de CBS e Imposto Seletivo dependem de cálculos e estimativas de arrecadação que o governo só deve fechar próximo ao fim de 2026, o que reduz de forma significativa o tempo hábil para que as empresas adaptem seus sistemas de ERP, contratos de longo prazo, cláusulas de reajuste e planejamento de fluxo de caixa antes da cobrança começar, em janeiro de 2027.

Essa insegurança regulatória tem impacto direto e concreto sobre o custo de operações que envolvem precificação sensível a tributos, especialmente em setores com margens apertadas ou com contratos indexados. Para empresas que dependem de projeções de médio prazo, como as que originam recebíveis destinados a operações de securitização, a falta de clareza sobre a carga tributária futura dificulta a modelagem de fluxos de caixa e o cálculo de indicadores usados na estruturação de operações de crédito.

Análise: efeito também sobre o mercado de crédito privado


No mercado de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), estruturas nas quais um fundo adquire créditos cedidos por um originador em troca de cotas sênior e subordinada, a indefinição das alíquotas se soma a outra fonte de incerteza para gestores e estruturadores. Analistas ouvidos pelo mercado avaliam que a demora na fixação dos percentuais pode elevar, ainda que temporariamente, o prêmio de risco exigido em operações de cessão de crédito com prazos que atravessam a virada para 2027, já que o efeito da nova carga tributária sobre a margem dos cedentes ainda não pode ser precificado com segurança.

Para esses profissionais, o problema não está na existência da reforma, mas no descompasso entre o calendário legal de entrada em vigor e o calendário real de divulgação das regras operacionais, o que tende a concentrar num curto espaço de tempo, entre dezembro e janeiro, um volume expressivo de revisões contratuais e ajustes de modelagem financeira em toda a cadeia produtiva.

Perspectivas: o que monitorar até dezembro


O mercado deve acompanhar de perto a publicação das alíquotas de referência por parte do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal, além de eventuais decretos complementares à Lei Complementar 214/2025 que possam antecipar parâmetros ainda não fechados. Também é possível que segmentos mais afetados busquem judicialização ou pressão junto ao Congresso para obter prazos de transição adicionais, caso a definição das alíquotas se confirme apenas nas últimas semanas de 2026.

Para gestores de fundos de crédito privado e para empresas cedentes de recebíveis, o recado prático é claro: os modelos de precificação e as premissas de fluxo de caixa para contratos que se estendem além de 2027 precisam considerar cenários de alíquota, e não apenas um número fechado, até que o governo publique os percentuais definitivos.


Fontes: JOTA, "Empresas enfrentam insegurança com alíquotas da reforma tributária indefinidas", Cristiane Bonfanti, 2 de setembro de 2026 (www.jota.info/tributos/empresas-enfrentam-inseguranca-com-aliquotas-da-reforma-tributaria-indefinidas)

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