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Notícias

Apex admite dívida de R$ 985,6 milhões e prepara recuperação judicial

A Apex Partners protocolou, em 7 de agosto de 2026, um pedido de tutela de urgência cautelar antecedente na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. A medida antecipa parte dos efeitos de uma recuperação judicial formal e expõe um rombo financeiro que, segundo a própria empresa, chega a R$ 985,6 milhões, com data base de 30 de junho de 2026.

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Contexto: de gestora regional a operação sob pressão


A Apex construiu, nos últimos anos, uma estrutura que combina gestão de fundos, participações societárias e produtos de crédito distribuídos a investidores qualificados no Espírito Santo e em outras praças. Entre os ativos ligados ao grupo estão o Apex Malls FII (APXM11), que detém 15,82% do Shopping Vitória, e o controle acionário, via o fundo ABMPar, da Fucape Business School, uma das instituições de ensino de referência no estado.

Parte da captação da casa se apoiou em debêntures emitidas pela Rhino Securitizadora, somando R$ 452,1 milhões em séries distribuídas a investidores. Esse tipo de estrutura, comum no mercado de crédito privado brasileiro, depende diretamente da capacidade do originador de honrar os fluxos prometidos aos cotistas e debenturistas. Quando o originador entra em dificuldade, o risco se transmite de forma direta para quem está na ponta do investimento.

A trajetória recente da dívida líquida da Apex ilustra a velocidade da deterioração. Em janeiro de 2025, o indicador estava em R$ 413 milhões. Em junho de 2026, já somava R$ 975 milhões, uma expansão de mais de 130% em pouco mais de um ano.


O que mudou: inconsistências financeiras, afastamentos e o pedido judicial


O fato central da crise é o reconhecimento, pela própria Apex, de inconsistências financeiras identificadas em apurações preliminares. Como consequência direta, o fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli foi afastado da presidência, assim como o diretor financeiro Eduardo Siqueira. A presidência interina foi assumida por Marcelo Murad, sócio sênior da casa.

Os números que embasaram o pedido de tutela de urgência detalham a origem do problema. No primeiro semestre de 2026, a empresa contraiu R$ 300 milhões em dívida nova, sendo que 58% desse volume não teve formação de ativo correspondente, ou seja, mais da metade do endividamento adicional não gerou contrapartida em ativos capazes de sustentá-lo.

O cenário de curto prazo é apertado. Entre 12 de agosto e 30 de setembro, a Apex tem resgates programados de aproximadamente R$ 78,2 milhões. Some se a isso 1.600 posições de clientes com direito a resgate por cashback, totalizando R$ 309,8 milhões, e tributos em atraso apenas na Apex de R$ 35,2 milhões. A tutela concedida garante, na prática, 60 dias de suspensão de obrigações, com prazo de 30 dias para a empresa requerer a recuperação judicial formal.

A companhia informou ainda que está contratando auditoria externa independente e que prevê medidas de responsabilização civil e criminal contra os envolvidos nas inconsistências identificadas.


Análise: o risco de contágio para debenturistas e cotistas


Para analistas do mercado de crédito privado, o caso Apex reforça um ponto sensível da arquitetura de securitização brasileira: a distância entre o desenho jurídico de uma operação e a real capacidade de pagamento do originador. "Quando mais da metade da dívida nova não tem ativo correspondente, o problema deixa de ser de liquidez pontual e passa a ser estrutural", avaliam analistas do setor.

O impacto direto recai sobre os detentores das debêntures emitidas pela Rhino Securitizadora e sobre os cotistas expostos, direta ou indiretamente, a estruturas ligadas à Apex. A suspensão temporária de obrigações, obtida pela tutela cautelar, dá à empresa um fôlego operacional, mas não resolve o mérito da questão: se os ativos remanescentes e o plano de reestruturação serão suficientes para cobrir R$ 985,6 milhões em passivos.

O afastamento simultâneo do fundador e do diretor financeiro, somado à contratação de auditoria externa, sinaliza que a governança interna identificou falhas relevantes de controle antes que o mercado forçasse essa exposição. É um padrão que se repete em outros episódios de estresse no crédito privado brasileiro: o problema de descasamento entre passivo e ativo se acumula silenciosamente até que um evento de liquidez o torna público.


Perspectivas: o que monitorar nas próximas semanas


O calendário processual já está em curso. Nos próximos 30 dias, a Apex precisa decidir e formalizar o pedido de recuperação judicial propriamente dito, o que deve trazer mais clareza sobre o plano de pagamento aos credores e sobre o tratamento dado às séries de debêntures da Rhino Securitizadora.

Gestores e investidores com exposição a produtos ligados à Apex, direta ou via fundos e certificados que carregam esses créditos, devem acompanhar de perto o resultado da auditoria externa contratada pela empresa, o desenrolar da apuração de responsabilidade civil e criminal anunciada e o comportamento dos resgates programados para o período de 12 de agosto a 30 de setembro. O desfecho da tutela de urgência na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória deve funcionar como o primeiro sinalizador concreto de quanto do valor será efetivamente recuperado pelos credores da operação.


Fontes: VixFeed

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