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Crédito privado

Deságio em operações com duplicatas sobe pelo segundo mês e chega a 2,88% em junho

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Deságio em operações com duplicatas sobe pelo segundo mês e chega a 2,88% em junho

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Taxa avançou 0,11 ponto percentual em relação a maio e acumula alta de 0,13 ponto desde o piso registrado em abril; volume operacional por cliente recuou 4,6%

Blumenau, julho de 2026 - A taxa média de desconto praticada em operações de antecipação de duplicatas chegou a 2,88% ao mês em junho, alta de 0,11 ponto percentual em relação aos 2,77% registrados em maio. Foi o segundo avanço mensal consecutivo do indicador, que acumula aumento de 0,13 ponto percentual desde abril, quando atingiu o menor nível da série, de 2,75% ao mês. Os dados são da Quick Soft, empresa de tecnologia especializada no mercado de antecipação de recebíveis, com atuação voltada a FIDCs, securitizadoras, factorings e demais agentes da cadeia de crédito estruturado.

Com a nova alta, o movimento observado em maio ganha consistência como possível mudança de direção no preço das operações. Embora o deságio permaneça abaixo dos níveis registrados no segundo semestre de 2025, os dados indicam que o ciclo de compressão das taxas pode ter encontrado seu piso em abril.

“O resultado de junho reforça a percepção de que o deságio pode estar passando por uma reancoragem. Dois meses consecutivos de alta ainda não permitem afirmar que há uma tendência consolidada, mas mostram que os financiadores podem estar voltando a incorporar um prêmio de risco maior nas operações”, afirma Rodrigo Eddine, co-CEO da Quick Soft.

O movimento ocorre em um ambiente ainda desafiador para o financiamento das empresas. Em junho, o crédito livre destinado a pessoas jurídicas permaneceu praticamente estagnado na comparação em 12 meses, com taxa média de 25,2% ao ano e inadimplência de 4,1%.

Apesar da redução da Selic para 14,25% ao ano no mês, a perspectiva de um ciclo mais gradual de cortes, somada às incertezas em relação à inflação e à duração dos juros elevados, tende a aumentar a cautela das mesas de crédito na definição das taxas.

Volume por cliente recua após quatro meses de alta

O levantamento também mostra que o volume operacional por cliente, medido pelo indicador de VOP, caiu 4,6% em junho. Foi a primeira retração relevante desde dezembro de 2025, após quatro meses consecutivos de crescimento.

De acordo com a avaliação da Quick Soft, o resultado pode representar uma acomodação pontual do volume negociado, diante de um cenário de atividade econômica ainda irregular. Indicadores da indústria mostraram queda na produção e nos novos pedidos, embora outros sinais, como a melhora da confiança empresarial e o desempenho do setor de serviços, tenham apontado maior resiliência da economia.

“Um único mês não é suficiente para caracterizar uma mudança na trajetória do volume. O resultado de julho será importante para mostrar se a queda observada em junho teve caráter sazonal ou se indica maior seletividade e desaceleração nas operações”, avalia Eddine.

Prazo médio permanece próximo de 50 dias

O prazo médio das operações ficou em 49,90 dias em junho, ante 50,44 dias em maio. A pequena redução mantém o indicador dentro do intervalo histórico observado pela Quick Soft desde setembro de 2025, sem sinal relevante de alongamento ou encurtamento das carteiras.

Ao longo do período analisado, o prazo médio oscilou entre 47,91 e 51,05 dias, permanecendo concentrado em torno de 50 dias.

Mercado acompanha comportamento das taxas em julho

A principal questão para os próximos meses será avaliar se o deságio continuará subindo ou se os 2,88% registrados em junho representarão um novo patamar de acomodação. A permanência da inadimplência empresarial em níveis elevados, a baixa expansão do crédito bancário e as incertezas sobre a velocidade da redução dos juros podem levar os financiadores a exigir taxas mais altas nas operações. Por outro lado, uma melhora da atividade econômica e da qualidade das carteiras pode contribuir para manter o deságio em níveis mais baixos.

Desde setembro de 2025, o deságio médio acompanhado pela Quick Soft saiu de 3% ao mês, chegou a 3,14% em novembro e iniciou uma trajetória de queda até atingir 2,75% em abril de 2026. Após avançar para 2,77% em maio, o indicador alcançou 2,88% em junho.

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