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Inadimplência das empresas bate recorde e acende alerta para FIDCs de recebíveis

FIDC NEWSFIDC NEWS 5 min de leituraSem comentários
Inadimplência das empresas bate recorde e acende alerta para FIDCs de recebíveis

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O Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian mostrou que mais de 9 milhões de negócios brasileiros seguiam negativados em maio de 2026, mantendo o país em patamar recorde de dívidas em atraso. O volume total já soma R$ 229,9 bilhões, um número que interessa diretamente à indústria de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), estrutura que compra recebíveis de empresas e depende justamente da capacidade desses cedentes de honrar seus compromissos.

Contexto: um passivo que não para de crescer

O mercado de crédito privado brasileiro convive há meses com juros elevados e atividade econômica desacelerada, combinação que pressiona o caixa das empresas e, por consequência, a qualidade dos recebíveis que circulam pelos FIDCs. Para gestores e estruturadores desses fundos, o dado da Serasa Experian confirma uma tendência que já vinha sendo monitorada de perto: o problema não está mais concentrado apenas em quem entra em default, mas em quanto essa dívida cresce depois que a empresa já está inadimplente.

Segundo o levantamento, cada CNPJ negativado acumulou em média sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08 e ticket médio de R$ 3.515,52. Para um fundo que trabalha com cessão de crédito de recebíveis comerciais, esse acúmulo de compromissos por parte do cedente ou do sacado é um dos principais gatilhos de deterioração da carteira e de aumento da PDD (provisão para devedores duvidosos).

O que mudou: o fato central

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, resume a mudança de dinâmica observada em maio: "o dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo avanço do volume financeiro das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado". Em um cenário de crédito restritivo, ela aponta que muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar capital de giro e recuperar capacidade financeira, exatamente os três pilares que sustentam a geração saudável de recebíveis elegíveis para cessão a um FIDC.

O recorte setorial reforça o ponto de atenção para estruturadores de fundos: 55,6% das empresas negativadas em maio pertenciam ao setor de Serviços, seguido por Comércio (32,3%), Indústria (8,1%) e setor Primário (0,9%). Já quando se olha para a origem das dívidas, o próprio segmento de Serviços concentra o maior peso (31,5%), à frente de Bancos e Cartões (19,5%), Cooperativas (8,6%), Utilities (6,9%) e Telefonia (5,7%). Isso significa que boa parte da inadimplência empresarial não está no sistema financeiro tradicional, mas espalhada entre fornecedores, prestadores de serviço e contratos operacionais, exatamente o tipo de relação comercial que costuma originar direitos creditórios cedidos a FIDCs.

O recorte por porte também é relevante para a indústria de fomento mercantil e factoring, cedentes tradicionais de FIDCs multicedentes: micro e pequenas empresas somaram 8,5 milhões de CNPJs negativados, com 59 milhões de dívidas totalizando R$ 198,8 bilhões, quase 87% do total nacional. Em média, cada uma dessas empresas acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.177,51.

Análise: o que isso significa para gestores de FIDC

Para quem estrutura ou gere um FIDC lastreado em recebíveis comerciais, o indicador funciona como termômetro de risco de crédito na ponta do cedente e do sacado. Camila Abdelmalack observa que "quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro". Na prática, isso reforça a importância de critérios de elegibilidade mais rígidos na aquisição de direitos creditórios e de mecanismos de subordinação (cotas sênior e subordinada) bem calibrados para absorver eventuais atrasos ou inadimplência dos sacados.

Sobre as micro e pequenas empresas, que concentram o grosso da inadimplência nacional, a economista-chefe conclui que "o quadro chama atenção porque estamos falando de negócios que, em média, acumulam quase sete pendências financeiras ao mesmo tempo. Muitas vezes, o valor individual de cada dívida pode não parecer elevado quando analisado isoladamente, mas o acúmulo desses compromissos representa uma pressão significativa sobre o caixa". Para FIDCs voltados a esse público, o dado reforça a necessidade de monitoramento contínuo do originador e de políticas de concentração por sacado bem definidas no regulamento do fundo.

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes, com destaque para São Paulo (3.094.295 negócios), Minas Gerais (887.261) e Rio de Janeiro (869.138), seguidos por Paraná (593.565) e Rio Grande do Sul (522.521). A concentração acompanha o peso econômico e a densidade empresarial dessas regiões, o que também tende a se refletir na distribuição geográfica das carteiras de recebíveis dos FIDCs mais expostos a esses estados.

Perspectivas: o que monitorar daqui para frente

Enquanto os juros permanecerem em patamar elevado e a atividade econômica seguir desacelerando, o indicador da Serasa Experian tende a continuar como referência obrigatória para gestores de FIDC na hora de calibrar spread, deságio na aquisição de recebíveis e níveis de subordinação das cotas. O ponto central levantado pela economista-chefe da datatech, o de que o desafio migrou de evitar a negativação para reduzir o passivo já acumulado, sugere que o ciclo de recuperação de crédito das empresas brasileiras deve ser mais longo do que o esperado, o que reforça a importância de due diligence recorrente sobre cedentes e sacados nas carteiras de recebíveis do mercado de FIDC.


Fonte: Serasa Experian, via Portal do Fomento (https://www.portaldofomento.com.br/noticia.php?id=9967)

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