IBOV186.340+1.37%preço de fechamento do pregão de 30 de setembro de 2026S&P 5007.652-0.25%preço de fechamento do pregão de 30 de setembro de 2026NASDAQ26.861+0.24%preço de fechamento do pregão de 30 de setembro de 2026DOW50.906-0.86%preço de fechamento do pregão de 30 de setembro de 2026PETR4R$ 49,10+0.78%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026VALE3R$ 69,61-2.18%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026ITUB4R$ 44,28+4.68%preço de fechamento do pregão de 30 de setembro de 2026MGLU3R$ 6,63+0.45%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026BBDC4R$ 18,51+4.11%preço de fechamento do pregão de 30 de setembro de 2026BBAS3R$ 22,04+2.56%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026SANB11R$ 29,57-0.40%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026B3SA3R$ 17,90+1.36%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026ABEV3R$ 15,27+0.46%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026WEGE3R$ 50,29+0.34%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026ITSA4R$ 14,16+1.51%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026PRIO3R$ 61,60-0.05%preço de fechamento do pregão de 29 de setembro de 2026DÓLARR$ 5,19+0.00%preço lido em 02/10/2026 às 11:00EUROR$ 5,87+0.00%preço lido em 02/10/2026 às 11:00LIBRAR$ 6,87+0.00%preço lido em 02/10/2026 às 11:00PESO ARR$ 0,00+0.00%preço lido em 02/10/2026 às 11:00IENER$ 0,03+0.00%preço lido em 02/10/2026 às 11:00YUANR$ 0,78+0.00%preço lido em 02/10/2026 às 11:00BITCOINR$ 452.865+4.05%preço lido em 02/10/2026 às 11:00ETHR$ 14.362+2.68%preço lido em 02/10/2026 às 11:00SOLR$ 639+4.44%preço lido em 02/10/2026 às 11:00XRPR$ 8,02+3.75%preço lido em 02/10/2026 às 11:00ADAR$ 1,34+4.13%preço lido em 02/10/2026 às 11:00

Fidcs & FundosCrédito privado

Inadimplência sobe nos FIDCs e 279 fundos já têm atrasos acima de 10%

Com o patrimônio acima de R$ 1 trilhão, a indústria de FIDCs passa a ser testada pela qualidade das suas carteiras.

FIDC NEWSFIDC NEWS 02/10/20265 min de leituraSem comentários
Inadimplência sobe nos FIDCs e 279 fundos já têm atrasos acima de 10%

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Dados enviados à CVM mostram que 15% dos fundos de direitos creditórios encerraram agosto com taxa de atraso de dois dígitos. Pesam no resultado os juros altos, a desaceleração da economia e uma sequência de recuperações judiciais, como a da Casas Bahia. O cenário obriga gestores e investidores a revisar como avaliam o risco das carteiras.

Uma indústria que cresceu rápido demais para o ciclo?


Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) passaram recentemente de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido. Em março de 2025 eram R$ 674 bilhões, o que significa uma alta de 48,4% em cerca de um ano e meio. Poucas classes de ativos cresceram nesse ritmo no mercado de capitais brasileiro.

Boa parte desse crescimento vem de uma mudança no crédito às empresas. Os bancos vêm restringindo cada vez mais o financiamento a pequenas e médias empresas, e os FIDCs ocuparam esse lugar. Comprando recebíveis por meio da cessão de crédito, os fundos passaram a assumir riscos que as instituições financeiras tradicionais deixaram de aceitar. Isso atrai investidores, porque gera prêmio de retorno, mas também concentra o risco quando a economia piora.

E a economia piorou. Juros elevados, crédito mais caro e menor atividade econômica coincidem com uma onda de recuperações judiciais e extrajudiciais em níveis historicamente altos. Nos dados da Uqbar, o atraso normalizado dos FIDCs multicedentes e multissacados chegou a 11,30% em março de 2026. Um ano antes, era de 9,7%.


Os números da deterioração


Um levantamento feito pelo InvestNews com base nos informes de agosto de 2026 enviados à CVM analisou 1.860 FIDCs. Desses, 279 carteiras, ou 15% da amostra, tinham inadimplência acima de 10%.

Outros recortes mostram o mesmo problema:

  • 354 fundos com atrasos acima de 15%;
  • 208 fundos com atrasos acima de 30%;
  • 54 fundos com inadimplência acima de 100% do patrimônio líquido.

Alguns casos individuais mostram a velocidade da piora. No Facio 4, administrado pela QI, os atrasos foram de R$ 51,7 milhões em fevereiro para R$ 327,5 milhões em agosto, uma alta de 533%. A relação com o PL subiu de 20,3% para 58,2%. No Artesanal Recebíveis Imobiliários, também da QI, a inadimplência foi de 17,5% para 31% no mesmo período (de R$ 187 milhões para R$ 399 milhões), em um fundo de R$ 1,3 bilhão com cobertura para devedores duvidosos de apenas 16% do PL.

O Aldebaran II, sob a J. Safra, chama atenção pela rapidez. Os atrasos passaram de R$ 700 mil para R$ 127 milhões em seis meses, e a inadimplência foi de praticamente zero para 8,7% de um PL de R$ 1,46 bilhão, sem nenhuma provisão registrada. No Agro Flex, do Daycoval, os créditos inadimplentes subiram de R$ 77 milhões para R$ 192 milhões, enquanto o patrimônio caiu 20%, de R$ 3,04 bilhões para R$ 2,42 bilhões. No FIDC Opea Agro Sumitomo Chemical, o PL encolheu 81%, de R$ 613 milhões para R$ 119 milhões, e a inadimplência chegou a 87%.

Dois eventos de crédito explicam parte do quadro. O primeiro foi a liquidação extrajudicial da EntrePay, em março. O Garson Card FIDC, que tinha a empresa como única cedente, viu a inadimplência ir de R$ 15,2 milhões para R$ 106,5 milhões, suspendeu a compra de novos recebíveis e fechou para resgates. O segundo foi a recuperação judicial da Casas Bahia, em 16 de agosto. O IBCB-AF01, com PL de R$ 1,9 bilhão, terminou agosto com 53,7% de inadimplência. Os 12 fundos ligados à varejista somam R$ 3,95 bilhões.

Análise: o risco está na origem e na concentração


Os números apontam para fragilidades que já eram conhecidas, mas que o ciclo de expansão escondia: dependência de um único cedente, pouca diversificação de sacados e provisões abaixo do necessário. O caso do Aldebaran II, com inadimplência crescente e nenhuma provisão, e o do Artesanal, com cobertura de 16% do PL para atrasos de 31%, mostram a distância entre o risco que a carteira tem e o risco que aparece na cota.

O pano de fundo também preocupa. "Muitas companhias seguem concentrando esforços na recomposição de caixa e no equacionamento de passivos acumulados nos últimos anos, o que mantém o ambiente de insolvência corporativa sob pressão", avalia Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.

As agências de rating veem o mesmo movimento. Segundo a Moody's, entre 70% e 80% das emissões recentes no mercado de capitais foram feitas para gestão de passivos. A Fitch afirma que grande parte do dinheiro captado nos últimos dois anos foi usada para refinanciar dívidas. Na prática, uma parcela relevante do crédito privado está adiando vencimentos em vez de financiar crescimento. Isso aumenta o risco de que as perdas apareçam nas carteiras de recebíveis se a economia não melhorar.

Para o investidor, a lição está na estrutura do fundo. A cota subordinada existe para absorver as primeiras perdas e proteger a cota sênior, mas só funciona se tiver tamanho compatível com o risco real da carteira. Quando a inadimplência cresce mais rápido que a subordinação e a PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), a proteção que parecia confortável deixa de existir.

O que monitorar daqui para frente


A tendência é que os informes mensais à CVM sejam lidos com muito mais atenção. Merecem acompanhamento a evolução dos atrasos por faixa de vencimento, a relação entre PDD e créditos vencidos, a concentração por cedente e por sacado e o índice de subordinação de cada fundo. Fundos expostos a empresas em recuperação judicial devem continuar sob pressão nos próximos meses.

Para os gestores, o momento favorece quem tem originação disciplinada, critérios de elegibilidade rígidos e lastro diversificado. A indústria de FIDCs continua sendo peça central no financiamento das PMEs brasileiras. Depois de passar de R$ 1 trilhão, o desafio agora é mostrar que esse crescimento foi feito com análise de crédito à altura.


Fontes: InvestNews: "Aumento de inadimplência nos FIDCs: centenas de fundos estão com taxa de atrasos acima de 10%", de Sérgio Tauhata, 30/09/2026

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