Juros futuros despencam e batem limite de oscilação após Flávio liderar 1º turno
Eleição mexe com a curva de juros e muda as contas de quem precifica crédito privado.

As notícias de FIDCs e crédito estruturado, direto no seu e-mail.
Foto: RDNE/Pexels
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Lula (PT), e a direita saiu mais forte no Congresso. Com isso, o mercado passou a apostar em mais disciplina fiscal. A curva de DI teve um dos maiores recuos diários dos últimos anos. Para quem estrutura, gere ou investe em FIDC, a mudança afeta já o custo de captação, a marcação a mercado e a precificação de recebíveis prefixados.
O cenário: eleição apertada e prêmio de risco alto
Com 99,97% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro teve 47,05% dos votos válidos e Lula, 45,14%. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, com 2,89%. A abstenção foi de 21,08%, segundo o Senado Notícias.
A curva chegou à eleição com muito prêmio de risco embutido. Em 16 de setembro, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Mesmo assim, os vencimentos longos seguiam acima de 13,9%, sinal de que o mercado cobrava caro pela incerteza fiscal à frente.
Esse prêmio pesa diretamente no crédito estruturado. As cotas sênior de FIDC costumam pagar CDI mais um spread, mas boa parte das carteiras tem recebíveis com taxa prefixada. Quando a curva sobe, a distância entre o custo do passivo e a taxa da carteira diminui. Quando a curva cai, essa distância volta a crescer.
O fato central: vencimentos longos travados no limite
A reação apareceu já na abertura. Segundo dados do InfoMoney do meio da manhã, o DI para janeiro de 2031 recuava 0,90 ponto percentual, para 13,02%. O mesmo recuo de 0,90 ponto se repetia nos contratos de 2032, 2033 e 2035, que estavam entre 13,09% e 13,16%. Como a queda é idêntica em vários vencimentos, as taxas bateram o limite de oscilação diária da B3, que interrompe os negócios abaixo desse patamar no pregão.
Na parte intermediária da curva, o DI para janeiro de 2028 caía 0,70 ponto, para 12,77%, e o de janeiro de 2029 recuava 0,86 ponto, para 12,83%. O contrato de janeiro de 2027, mais ligado às próximas decisões do Copom, mexia menos: caía 0,12 ponto, para 13,39%.
Os outros mercados foram na mesma direção. O Ibovespa subia 8,09%, para 207.659 pontos, um recorde durante o pregão. O dólar comercial caía 4,50%, para R$ 4,98.
Análise: aposta em mudança de rumo fiscal
O motivo da reação é o mesmo nas casas consultadas: o mercado vê mais chance de ajuste nas contas públicas. "A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal", disse ao Seu Dinheiro Felipe Balassiano, head de multimercados da ASA. Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, foi pelo mesmo caminho: "O ponto central não é o nome do candidato, mas a probabilidade de mudança na trajetória fiscal".
Andrés Abadia, economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics, também citou o Congresso. "O desempenho acima do esperado e a guinada à direita no Congresso devem apoiar o Ibovespa e exercer pressão baixista sobre os rendimentos de longo prazo", afirmou ao InfoMoney.
Para o crédito privado, a curva mais baixa tem três efeitos imediatos. O primeiro é na marcação a mercado: fundos com ativos prefixados ou indexados ao IPCA ganham valor com a queda das taxas. O segundo é na originação: o custo de captação fica menor para cedentes e originadores, o que pode aliviar empresas que dependem de cessão de crédito para ter capital de giro. O terceiro é na disputa por investidores: CDI mais baixo à frente obriga o investidor a buscar spread. Isso tende a favorecer a demanda por cotas sênior e mezanino de FIDC frente a ativos bancários tradicionais.
O que vem a seguir: três semanas de volatilidade
O alívio depende do segundo turno. A diferença entre os candidatos foi de menos de dois pontos percentuais, e as pesquisas das próximas três semanas devem ditar a volatilidade da curva. "Movimento dos últimos dias deve continuar, com alta do Ibovespa, apreciação do real e queda das taxas de juros de mercado", avaliou Fernando Siqueira, head de research da Eleven.
Até 25 de outubro, o gestor de FIDC tem três coisas para acompanhar. A primeira é o tamanho do prêmio na parte longa da curva, porque ele define o preço dos recebíveis prefixados. A segunda é a reprecificação dos spreads nas novas emissões, que pode ficar mais apertada se o fluxo para crédito privado aumentar. A terceira é a reação do Banco Central: com a curva mais baixa e o real mais forte, cresce o espaço para o Copom seguir cortando a Selic, um cenário que muda o retorno esperado das cotas atreladas ao CDI.
Newsletter FIDC News
Não perca a próxima edição
As movimentações do mercado de FIDCs, securitização e recebíveis, com a análise do FIDC News, no seu e-mail.
Gratuita. Você cancela quando quiser. Veja a Política de Privacidade.

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado. Nossas matérias devem ser entendidas como boletins informativos e divulgadores de insights setoriais, não configurando recomendação de investimento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








