Justiça bloqueia bens de ex-CEO da Apex e quebra seu sigilo bancário
A pedido da própria Apex Partners, a Justiça decretou nesta terça-feira, 18 de agosto, a indisponibilidade de todos os bens de Fernando Cinelli, ex-presidente da companhia, além da quebra de seu sigilo bancário. A medida cautelar aprofunda a crise de governança que já havia levado ao afastamento do executivo no início do mês.

Contexto: a saída conturbada de Cinelli
Fernando Cinelli foi fundador e presidente da Apex Partners, plataforma de investimentos que vem enfrentando uma crise financeira relevante. Ele foi afastado da presidência em 6 de agosto, depois que apurações internas identificaram inconsistências financeiras nas operações da companhia. Os sócios remanescentes entraram com ação judicial contra ele, alegando suposta gestão temerária e má-fé.
O episódio se soma a um quadro já delicado para a gestora. A companhia acumulava R$ 975 milhões em dívida, com um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) ligado à Apex chegando a 60% de inadimplência antes de entrar em liquidação. Fundos vinculados à gestora também reduziram posições relevantes em ativos como as ações da CVC, em meio a promessas de recompra que não se sustentaram.
O que mudou: bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário
Na decisão que concedeu a tutela de urgência, o juiz Marcos Pereira Sanches registra que os documentos apresentados pela Apex demonstram transferências de recursos das contas da ABM Partnership Investimentos e Participações para a conta bancária pessoal de Cinelli, em valor estimado de R$ 5 milhões. Segundo o magistrado, nesta análise preliminar não foi identificada razão jurídica capaz de justificar essas movimentações.
Além desse montante, a apuração interna preliminar conduzida pela Apex identificou outras movimentações que, somadas, superam R$ 23 milhões, todas com destino a contas de titularidade do ex-presidente. A companhia afirma que o valor total permanece sob análise e poderá ser atualizado conforme avancem os trabalhos de uma auditoria independente.
Até o momento, as verificações internas realizadas pela gestora não identificaram relação entre essas transferências e os recursos aportados diretamente por investidores em projetos imobiliários ou em fundos administrados pela companhia.
Análise: o que a decisão sinaliza para credores e cotistas
Para o mercado de crédito privado, medidas judiciais desse porte funcionam como um sinal claro de que a governança de uma gestora entrou em regime de escrutínio ativo, algo que pesa diretamente na percepção de risco de cotistas expostos a fundos e FIDCs originados ou geridos por ela. Analistas que acompanham o caso avaliam que a cautelar, ainda que sujeita a contraditório e ampla defesa, reforça a leitura de que os controles internos da companhia falharam em conter movimentações atípicas antes que atingissem a magnitude reportada.
Ao conceder a tutela de urgência, o juiz considerou haver indícios suficientes das transferências e risco concreto de dissipação patrimonial em prejuízo dos credores. É importante destacar que a decisão tem natureza cautelar e foi proferida em análise preliminar, permanecendo sujeita ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo.
Perspectivas: o que vem a seguir
A decisão judicial também determinou medidas adicionais de preservação documental, entrega de informações, aprofundamento da auditoria e acompanhamento das operações da companhia, providências que a Apex Partners afirma que serão integralmente cumpridas. Em nota, a gestora reforça o compromisso com a continuidade de suas operações e com o cumprimento de suas obrigações perante investidores, clientes, credores, fornecedores e parceiros, dizendo atuar "com responsabilidade, rigor e transparência".
Procurado pela reportagem, Cinelli afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está comprometido em contribuir para a preservação da companhia, dos investidores e dos acionistas, e que o gesto demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas "com total transparência e idoneidade".
O desfecho do caso deve continuar sob acompanhamento próximo de gestores, cotistas e credores da Apex, especialmente diante da possibilidade de o valor total das transferências identificadas ser revisado à medida que a auditoria independente avançar. Por se tratar de decisão preliminar, caberá recurso, e o processo seguirá em tramitação até que se defina, em caráter definitivo, a responsabilidade de cada parte envolvida.
Fonte: Estadão / E-Investidor, "Apex bloqueia bens de ex-CEO após identificar transferências de R$ 23 milhões para sua conta", por Marília Almeida, 18/08/2026. Categoria sugerida: Empresas Tags sugeridas: FIDC, Apex Partners, Fernando Cinelli, governança corporativa, crédito privado, bloqueio de bens
FIDC NEWS
O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.
Ler todas as notíciasComentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.
Deixe um comentário
Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *








