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Notícias

QI Tech abre primeiro escritório na China e mira mercado asiático

A QI Tech, empresa brasileira de infraestrutura para serviços financeiros, inaugurou seu primeiro escritório na China. O movimento marca a chegada da companhia à Ásia com estrutura física permanente, depois de anos atendendo clientes asiáticos que já operam no Brasil, entre eles a Bettr, braço financeiro da Ant International.

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Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech

Contexto: uma gestora que também é gigante em FIDC

A QI Tech não é apenas uma fintech de crédito. Desde 2025, a companhia é reconhecida pela ANBIMA como a maior administradora e custodiante de fundos em direitos creditórios do país, com R$ 182 bilhões sob administração. O FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) é o veículo que permite a securitização de recebíveis, transformando carteiras de crédito em cotas negociadas por investidores institucionais e qualificados.

Além da administração de FIDCs, a empresa foi a primeira do país a obter licença de sociedade de crédito direto junto ao Banco Central e mantém uma distribuidora de títulos chancelada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entre os investidores da companhia estão fundos como GIC, General Atlantic e Across Capital. Em março de 2026, a QI Tech projetava crescimento de 80% no ano e descartava abertura de capital antes de 2027.

Esse histórico ajuda a explicar por que a movimentação para a China importa além do noticiário corporativo. Uma empresa com esse volume de patrimônio administrado em FIDCs tende a atrair capital estrangeiro para operações estruturadas no Brasil, e presença física na Ásia é parte da engrenagem que sustenta esse fluxo.

O que mudou: escritório físico e integração de fuso horário


Até a abertura da nova base, o relacionamento da QI Tech com clientes asiáticos era conduzido principalmente a partir do Brasil, com viagens recorrentes das equipes comerciais e técnicas. O crescimento da carteira de clientes na região e a necessidade de proximidade durante processos de integração levaram a companhia a montar estrutura permanente.

"Estar fisicamente próximo faz diferença. A presença na China nos permite acompanhar nossos clientes no mesmo fuso, acelerar integrações", afirma Pedro Mac Dowell, fundador e CEO da QI Tech.

O novo escritório chinês é a segunda base internacional da empresa, depois do escritório aberto no Uruguai há dois meses, voltado ao atendimento da América Latina. Segundo a companhia, o primeiro passo na China será dedicado à inteligência de mercado e à disseminação da marca, abrindo caminho para uma expansão mais ampla no futuro.

A vertical Risk Solutions da QI Tech, que reúne reconhecimento facial, prova de vida, onboarding digital, antifraude e motores de crédito, é apontada como um dos principais ativos tecnológicos a serem oferecidos aos clientes asiáticos. "Clientes asiáticos já utilizam parte dessa tecnologia em suas operações no Brasil", diz Mac Dowell.

A movimentação também tem relação com o apetite da QI Tech pelo setor automotivo. Em julho de 2026, a empresa entrou no financiamento de veículos em parceria com a Autobanking, e a proximidade com companhias asiáticas interessadas em ampliar operações no Brasil pode reforçar essa frente.

Análise: internacionalização como resposta à sofisticação do mercado


Para analistas do mercado de crédito privado, a abertura de um escritório na China confirma um movimento que já vinha se desenhando nos últimos anos: a internacionalização das plataformas brasileiras de infraestrutura financeira acompanha o apetite crescente de capital estrangeiro por operações estruturadas de crédito no Brasil.

Empresas como a Bettr, ligada à Ant International, já participam do ecossistema de crédito brasileiro, e presença física do lado da QI Tech tende a reduzir fricções operacionais em integrações tecnológicas e negociações comerciais. Para gestores e originadores de FIDC, o recado é direto: quanto mais consolidada a base tecnológica e institucional da administradora, maior a confiança de capital estrangeiro em estruturas de securitização brasileiras.

Perspectivas: o que monitorar


O próprio posicionamento da QI Tech sinaliza cautela na velocidade da expansão. O escritório chinês nasce com foco em inteligência de mercado e marca, não em operação plena, o que sugere um período de maturação antes de decisões maiores na região.

Vale acompanhar três frentes nos próximos meses: o ritmo de crescimento da carteira de clientes asiáticos, o avanço da frente automotiva após a parceria com a Autobanking e o cumprimento da meta de expansão de 80% projetada para 2026. A abertura de capital, descartada pela companhia antes de 2027, também deve voltar ao radar do mercado à medida que a base internacional da QI Tech se consolidar.


Fontes: Let's Money Categoria sugerida: Empresas Tags sugeridas: FIDC, QI Tech, crédito privado, expansão internacional, China

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