7 em cada 10 empresas analisadas por FIDCs não têm sinais de restrição
Levantamento da Assertiva mostra que 60,9% dos CNPJs observados têm mais de dez anos de atividade e revela presença de empresas de diferentes portes no crédito estruturado.

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Empresas maduras e sem sinais de
restrição formam uma parcela relevante dos negócios analisados por FIDCs.
Levantamento da Assertiva, empresa de data & analytics, mostra que 68,9%
dos CNPJs observados não apresentavam sinais de restrição, enquanto 31,1%
possuíam algum indicador dessa natureza. A maioria também está longe dos
primeiros anos de operação: 60,9% das empresas têm mais de uma década de
existência.
Os dados fazem parte da primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado, que analisou 4.045 consultas realizadas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026, envolvendo 3.543 empresas distintas.
“O perfil que aparece na base
ajuda a ampliar a leitura sobre quem está sendo analisado pelos FIDCs. Não
estamos olhando apenas para empresas novas ou que apresentam sinais de
dificuldade. A maior parte tem mais de dez anos de atividade e quase sete em cada
dez não apresentam sinais de restrição. É um universo bastante mais diverso”,
afirma Hederson Albertini, CEO da Assertiva.
A maturidade aparece de forma
ainda mais clara na distribuição por tempo de atividade. Apenas 4,5% das
empresas têm até dois anos, enquanto 24,4% estão na faixa de dez a 20 anos e
36,5% possuem mais de duas décadas de existência. Na média, as companhias observadas
acumulam 17,6 anos de operação.
O porte também mostra uma base
heterogênea. As microempresas representam 33,6% dos CNPJs analisados, as
pequenas, 22,6%, as médias, 8,4%, e as grandes, 22,2%. Outros 13,1% não possuem
classificação informada. Considerando o faturamento presumido, 55% das empresas
estão entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões.
“O dado de porte reforça que não
existe um único perfil de companhia chegando às análises. Temos desde micro e
pequenas até grandes empresas. Quando cruzamos tamanho, maturidade e
indicadores de restrição, conseguimos enxergar melhor quem está efetivamente
aparecendo no radar dos fundos”, explica Albertini.
Para Mary Mizuno, CEO da
SoM&A, plataforma de M&A e análise de negócios com inteligência
artificial, o fato de uma empresa não apresentar sinais de restrição é um ponto
relevante, mas não substitui uma análise mais profunda antes de uma decisão de
investimento. Segundo ela, a evolução das ferramentas de dados e IA permite
ampliar a quantidade de informações consideradas nessa avaliação e identificar
riscos que nem sempre aparecem em uma consulta cadastral.
“Não ter restrições é um bom
ponto de partida, mas não significa, por si só, que uma empresa seja um bom
risco. Para investir em uma PME, é preciso entender a saúde financeira, o
histórico de receitas, endividamento, geração de caixa, margens e eventuais
contingências, além das características do próprio negócio. Uma boa due
diligence é justamente o que permite transformar uma fotografia cadastral em
uma visão mais completa da empresa e dos riscos envolvidos”, afirma Mary.
Ela avalia que essa análise se
torna especialmente importante para os FIDCs diante do volume de empresas e
informações que precisam ser avaliadas. Nesse processo, a inteligência
artificial pode ajudar a organizar e cruzar dados, encontrar padrões e direcionar
a análise para pontos que merecem maior atenção.
“Os FIDCs analisam um universo
muito grande de empresas e créditos, e a inteligência artificial permite cruzar
informações financeiras, cadastrais e de risco em uma escala que seria difícil
alcançar apenas com processos manuais. Isso não significa transferir a decisão
de investimento para um algoritmo. A IA ajuda a identificar padrões,
inconsistências e sinais que merecem aprofundamento, enquanto a decisão
continua dependendo de uma análise criteriosa do ativo, da empresa e da
estrutura da operação”, diz Mary.
Para Eduardo Sgobbi, CEO do Edan
Finance Group, os números ajudam a desfazer uma associação ainda comum entre
crédito estruturado e empresas em dificuldade financeira. “Uma empresa não
precisa estar com problema de crédito para precisar de capital. Muitas vezes
acontece justamente o contrário: ela tem uma operação saudável, vende mais e
precisa financiar estoque, fornecedores ou o intervalo até receber dos
clientes. Quanto maior a empresa e a operação, maior também pode ser a
necessidade de capital de giro. O crédito estruturado entra como uma
alternativa para financiar esse ciclo sem depender de uma única fonte de
recursos”, afirma Sgobbi.
Recorrência também aparece
entre empresas sem restrição
O levantamento identificou ainda
que a ausência de restrições permanece majoritária entre as empresas que
aparecem repetidamente nas consultas. Entre os CNPJs analisados duas ou mais
vezes, 228 não apresentavam sinais de restrição e 140 possuíam algum indicador,
fazendo com que 62% das empresas com consultas recorrentes estivessem sem
restrição.
“Quando uma empresa aparece mais
de uma vez, conseguimos observar que existe recorrência na análise daquele
CNPJ. E mesmo nesse grupo, a maioria não apresenta restrições. É mais um dado
que ajuda a mostrar que a atividade dos fundos observados não está concentrada
exclusivamente em companhias com sinais de deterioração financeira”, afirma
Albertini.
Na avaliação de Sgobbi, a
diversificação das fontes de financiamento ganha importância à medida que as
empresas amadurecem e suas necessidades financeiras se tornam mais complexas.
Além do crédito bancário tradicional, companhias podem recorrer a estruturas
baseadas em recebíveis e outros direitos creditórios para adequar o
financiamento ao próprio fluxo de caixa.
“Uma empresa madura começa a
olhar para o crédito de outra maneira. A discussão deixa de ser apenas ‘quanto
consigo tomar emprestado’ e passa a ser ‘qual estrutura faz sentido para
financiar cada necessidade’. Recebíveis podem financiar capital de giro, uma
operação pode exigir um prazo diferente e uma expansão pode demandar outra
estrutura. Ter mais alternativas de funding é também uma forma de gestão
financeira”, diz Sgobbi.
Para Albertini, acompanhar esse
perfil ao longo das próximas edições permitirá identificar se o comportamento
se mantém e como ele evolui entre setores, regiões e diferentes tipos de
empresas. “Uma fotografia isolada já revela características importantes. A
série histórica poderá mostrar se empresas mais maduras, maiores ou sem
restrições aumentam ou diminuem sua presença nas análises e quais setores estão
por trás dessas mudanças.”
Sobre o Radar Assertiva
O Radar Assertiva de Demanda por
Crédito Estruturado analisou 4.045 consultas realizadas por 36 FIDCs entre
janeiro e setembro de 2026, envolvendo 3.543 CNPJs distintos. O estudo
considera localização, atividade econômica, porte, tempo de existência, faturamento
presumido, número de funcionários e indicadores de restrição.
O levantamento é observacional e utiliza uma amostra não probabilística. Os resultados descrevem o comportamento dos fundos observados e não representam estatisticamente toda a indústria brasileira de FIDCs. Uma consulta indica que determinado CNPJ foi objeto de análise por um fundo, mas não comprova solicitação, aprovação ou contratação de crédito.
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