IBOV185.147-0.02%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026S&P 5007.719-0.38%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026NASDAQ26.507-0.29%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026DOW53.414-0.51%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026PETR4R$ 47,11-0.95%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026VALE3R$ 78,62+0.22%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026ITUB4R$ 41,92+0.00%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026MGLU3R$ 5,79+4.14%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026BBDC4R$ 17,90+0.62%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026BBAS3R$ 22,52+0.31%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026SANB11R$ 30,43-0.03%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026B3SA3R$ 17,37+0.12%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026ABEV3R$ 15,74-0.13%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026WEGE3R$ 51,74-0.61%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026ITSA4R$ 13,95+1.53%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026PRIO3R$ 60,19-2.13%preço de fechamento do pregão de 04 de setembro de 2026DÓLARR$ 5,13+0.00%preço lido em 08/09/2026 às 15:00EUROR$ 5,96+0.00%preço lido em 08/09/2026 às 15:00LIBRAR$ 6,94+0.00%preço lido em 08/09/2026 às 15:00PESO ARR$ 0,00+0.00%preço lido em 08/09/2026 às 15:00IENER$ 0,03+0.00%preço lido em 08/09/2026 às 15:00YUANR$ 0,76+0.00%preço lido em 08/09/2026 às 15:00BITCOINR$ 399.977-1.49%preço lido em 08/09/2026 às 15:00ETHR$ 12.677-0.91%preço lido em 08/09/2026 às 15:00SOLR$ 528-0.93%preço lido em 08/09/2026 às 15:00XRPR$ 7,27+1.46%preço lido em 08/09/2026 às 15:00ADAR$ 1,14+0.72%preço lido em 08/09/2026 às 15:00

AgronegócioCrédito privado

Com crédito pressionado, produtor rural revê estratégia para comprar máquinas

Renegociação de dívidas e concentração dos recursos no custeio colocam planejamento de tratores, implementos e equipamentos no centro da gestão financeira da fazenda.

.fnFIDC NEWS 08/09/20265 min de leituraSem comentários
Com crédito pressionado, produtor rural revê estratégia para comprar máquinas

O aumento da inadimplência rural e a abertura de uma nova rodada de renegociação de dívidas estão mudando uma conta importante dentro das propriedades: como financiar a renovação de máquinas sem retirar recursos da safra ou ampliar excessivamente o endividamento. O Banco do Brasil estima que até R$ 100 bilhões de sua carteira do agronegócio possam se enquadrar nas linhas associadas à Medida Provisória 1.376/2026.

Desse montante, R$ 36,7 bilhões correspondem a créditos inadimplentes e R$63,5 bilhões a operações adimplentes que já haviam sido prorrogadas ou renegociadas. A medida foi criada em julho para permitir a composição de determinadas dívidas rurais de produtores afetados por perdas e eventos climáticos.

Para Leonardo Baldez Augusto, economista e fundador do Grupo ISF Soluções Financeiras, que atua com soluções de crédito e consórcio, a conjuntura reforça a necessidade de separar o dinheiro destinado à produção dos recursos usados na formação de patrimônio. “O produtor precisa saber qual dívida está financiando a próxima safra e qual está financiando um ativo que será utilizado durante muitos anos. Quando tudo entra na mesma conta, aumenta o risco de chegar à próxima temporada com pouca liquidez e uma estrutura de parcelas pesada”, afirma.

Os primeiros números do Plano Safra 2026/2027 ajudam a dimensionar essa diferença. Em julho, a agricultura empresarial, excluído o Pronaf, contratou R$28,2 bilhões em crédito rural. Desse total, R$ 18,8 bilhões vieram de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e R$6,5 bilhões de custeio convencional. Somados, os dois instrumentos concentraram 89,5% dos recursos utilizados no mês. As operações destinadas a investimento chegaram a R$568 milhões, ou 2% do total. O Ministério da Agricultura ressalta que julho foi apenas o primeiro mês do ciclo e que o volume inicial não deve ser usado como indicação do desempenho da safra completa.

Crédito de safra não deveria pagar todo investimento

O Plano Safra empresarial prevê R$525,1 bilhões para 2026/2027, dos quais R$384,9 bilhões estão direcionados a custeio e comercialização e R$140,2 bilhões a investimentos. As linhas contemplam, entre outras finalidades, aquisição de máquinas e equipamentos, armazenagem, irrigação e modernização das propriedades.

Para Baldez, a existência de crédito específico para investimento não elimina a necessidade de comparar modalidades de aquisição. “Se o trator quebrou e precisa entrar na lavoura amanhã, o produtor tem uma necessidade imediata. Se ele sabe que precisará renovar aquela máquina daqui a três ou quatro anos, a decisão é outra. O prazo da necessidade muda completamente a análise financeira”, explica.

Na avaliação do economista, linhas subsidiadas de investimento, financiamento bancário, capital próprio e consórcio não devem ser tratados como produtos equivalentes. Taxa, prazo, necessidade de entrada, garantia exigida, efeito sobre o caixa e momento em que o bem estará disponível precisam entrar na comparação.

Consórcio cresce entre máquinas agrícolas

Os números do setor mostram que o planejamento antecipado para a compra de equipamentos já ganhou espaço no campo. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), havia 475,62 mil participantes ativos em grupos de máquinas agrícolas em junho de 2026, crescimento de 3,8% em um ano. Entre janeiro e junho, foram comercializados R$11,64 bilhões em créditos nesse segmento, enquanto R$6,14 bilhões foram disponibilizados após contemplações, alta de 12,7% sobre igual período de 2025.

O tíquete médio das cotas de máquinas agrícolas chegou a R$273,91 mil em junho, 21,7% acima do registrado no mesmo mês de 2025. Ao mesmo tempo, as vendas de novas cotas recuaram 6,9% no semestre, sinal de que o avanço da base de participantes não significa crescimento uniforme em todos os indicadores.

No consórcio, a aquisição do bem depende da contemplação, que ocorre por sorteio ou lance e está condicionada à disponibilidade de recursos do grupo, conforme as regras do Banco Central. Por isso, a modalidade tende a ser mais compatível com investimentos que possam ser programados do que com necessidades urgentes da propriedade.

“Consórcio não deve ser vendido ao produtor como crédito emergencial. Ele faz mais sentido quando existe capacidade de planejamento. Se a fazenda sabe que terá de substituir uma colheitadeira, um trator ou ampliar a frota nos próximos anos, pode começar a estruturar essa aquisição antes que a necessidade vire uma urgência”, afirma Baldez.

A conta não termina na taxa

A comparação também não deve se limitar à existência ou não de juros. Embora o consórcio tenha estrutura diferente de um financiamento tradicional, existem custos como taxa de administração e, conforme o contrato, outros componentes. No financiamento, entram juros, tarifas, garantias e condições específicas de cada linha.

Baldez defende que o produtor calcule principalmente o impacto sobre o caixa operacional.“Uma máquina pode ser um ótimo investimento e, ainda assim, ser comprada da forma errada. Se a parcela retira da propriedade a capacidade de comprar insumos, atravessar uma quebra de produtividade ou aproveitar uma oportunidade comercial, o problema não está necessariamente no equipamento, mas na estrutura usada para adquiri-lo”, ressalta.

Antes da contratação, a recomendação é estimar quando o equipamento precisará ser substituído, projetar o valor necessário, calcular quanto da geração de caixa poderá ser comprometido e comparar as alternativas disponíveis. A urgência do investimento também precisa ser considerada: quanto menor o prazo para receber o ativo, menor tende a ser o espaço para estratégias que dependem de contemplação.

A discussão ganha peso justamente quando o setor tenta reorganizar passivos. A MP 1.376 permite linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e CPRs em situações enquadradas nas regras da medida. O Banco do Brasil informou que sua inadimplência no agronegócio chegou a 6,27% em junho, após sucessivos trimestres de deterioração da carteira.

Para o economista, renegociar o passado sem modificar a estratégia de investimento pode apenas adiar o problema.

Outro ponto importante é a possibilidade do consórcio adquirir bens semi novos com até 12 anos de uso. Isto abre um mercado com deságio do valor do bem otimizando o valor do investimento . 

“Depois de reorganizar a dívida, o passo seguinte precisa ser impedir que a propriedade reconstrua o mesmo passivo. O produtor já planeja plantio, insumos e comercialização. A renovação do patrimônio também precisa entrar nesse calendário. O trator que será necessário daqui a quatro anos é uma decisão financeira que começa hoje”, conclui.

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