Fidcs & Fundos

FIDCs driblam fuga de recursos e captam R$ 21,5 bi no ano

.fnFIDC NEWS 01/07/20263 min de leituraSem comentários
FIDCs driblam fuga de recursos e captam R$ 21,5 bi no ano
FIDCs driblam fuga de recursos e captam R$ 21,5 bi no ano

O mercado de fundos brasileiro atravessa um momento de seletividade: enquanto categorias tradicionais perdem recursos, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), veículos que compram recebíveis de empresas e os transformam em ativos de investimento, seguem atraindo capital em ritmo consistente, segundo dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Contexto: um mercado de crédito que se reorganiza

Historicamente, pequenas e médias empresas brasileiras dependeram quase exclusivamente dos bancos para obter capital de giro. Esse modelo, concentrado em poucas instituições, costuma cobrar taxas elevadas e restringir o acesso ao crédito, especialmente para negócios sem grande histórico bancário.

Nos últimos anos, a securitização de recebíveis (duplicatas, cheques, notas comerciais, CCBs e parcelas de cartão de crédito) ganhou espaço como alternativa a esse modelo. Os FIDCs são o principal instrumento dessa transformação: ao reunir esses créditos em uma estrutura de fundo, permitem que investidores financeiros ocupem o papel que antes era quase todo dos bancos.

O que mudou: captação resiliente em meio à fuga de outras classes

Os números recentes da ANBIMA mostram a força dessa migração. Em maio, a categoria de fundos Multimercados registrou saída líquida de R$ 6,4 bilhões, reflexo da desconfiança e da volatilidade que afetam classes mais tradicionais. No mesmo período, os FIDCs captaram R$ 2,5 bilhões em recursos novos.

No acumulado do ano, a captação dos FIDCs chega a R$ 21,5 bilhões, um volume que ajudou a sustentar a captação líquida total da indústria de fundos, de R$ 188,2 bilhões no período. Esse fluxo de capital tem efeito direto na economia real: ao financiar recebíveis de micro, pequenas e médias empresas, os FIDCs garantem capital de giro para fornecedores da indústria e para o estoque do comércio, muitas vezes em condições que o crédito bancário convencional não oferece.

Análise: risco calculado, não imprudência

O crescimento acelerado desse tipo de fundo levanta uma pergunta recorrente entre gestores e investidores: o apetite por FIDCs representa uma exposição excessiva à inadimplência? Para João Baptista Peixoto Neto, fundador e diretor presidente da Ouro Preto Investimentos e responsável pela estruturação de mais de 300 fundos de recebíveis entre 2006 e 2019, a resposta é não.

"O que o mercado testemunha é o amadurecimento técnico da gestão de recursos", avalia o especialista, que integra os comitês de FII e FIDC da ANBIMA. Segundo ele, o uso intensivo de inteligência artificial e a análise de dados em tempo real permitem hoje monitorar o comportamento de crédito de milhares de sacados (os devedores dos recebíveis) simultaneamente, tornando a inadimplência uma variável precificada, e não uma surpresa.

A própria estrutura em cotas seniores, mezanino e subordinadas (ou juniores) funciona como camada de proteção: perdas com inadimplência são absorvidas primeiro pelas cotas subordinadas, preservando o retorno das cotas seniores, que concentram a maior parte dos investidores. Para Peixoto Neto, tolerar um nível de inadimplência dentro desse desenho não é negligência, mas estatística: o prêmio de risco pago pelos FIDCs compensa a perda controlada na ponta final do crédito.

Perspectivas: de nicho a pulmão financeiro

A leitura do especialista aponta para uma mudança de status dos FIDCs no mercado brasileiro: de produto de nicho, voltado a investidores qualificados com apetite por risco de crédito, para peça relevante do financiamento da economia real. Se a captação de R$ 21,5 bilhões no ano se mantiver nesse ritmo, o setor deve reforçar sua posição como alternativa consolidada ao crédito bancário tradicional.

Para gestores e distribuidores, o cenário reforça a importância de tecnologia de monitoramento de crédito e de estruturas de cotas bem calibradas como diferenciais competitivos. Já para investidores, o movimento consolida os FIDCs como opção de diversificação em um ano marcado por saída de recursos de classes mais tradicionais, mantendo em aberto o acompanhamento dos indicadores de inadimplência à medida que o volume sob gestão aumenta.


Fonte: Portal do Fomento, "Quando o investidor vira banco: a ascensão silenciosa dos FIDCs no Brasil", por João Baptista Peixoto Neto (25/06/2026)

Compartilhe este artigo
.fn

FIDC NEWS

O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.

Ler todas as notícias

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fique por dentro das últimas notícias

Ao clicar no botão Inscrever-se, você confirma que leu nossa Política de Privacidade.