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Fidcs & Fundos

Grupo IOX mira R$ 4 bilhões em ativos e avança sobre PMEs em Goiás e Minas Gerais

FIDC NEWSFIDC NEWS 5 min de leituraSem comentários
Grupo IOX mira R$ 4 bilhões em ativos e avança sobre PMEs em Goiás e Minas Gerais

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Com a aquisição da carteira da Via Capital, gestora dobra sua base de cedentes e reforça presença no middle market em praças estratégicas do interior do Brasil

O crédito privado segue avançando sobre espaços antes dominados pelos grandes bancos. O Grupo IOX, gestor especializado em FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), concluiu a aquisição da carteira de recebíveis da Via Capital e projeta encerrar o primeiro semestre de 2026 com R$ 4 bilhões em patrimônio líquido, ampliando sua base de atuação para Goiás e Minas Gerais. O movimento ilustra a corrida do mercado de capitais para ocupar a lacuna deixada pela seletividade crescente dos bancos tradicionais, especialmente junto a pequenas e médias empresas.

O cenário: mercado de capitais supera crédito bancário às empresas

O negócio do Grupo IOX acontece num contexto de virada estrutural no financiamento corporativo brasileiro. Pela primeira vez, o estoque de instrumentos do mercado de capitais, entre debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e FIDCs, chegou a R$ 2,7 trilhões, valor equivalente a cerca de 23% do PIB nacional, superando o crédito bancário direcionado às empresas.

Esse número não é coincidência. Em um ambiente de juros elevados e maior cautela na concessão de crédito, os bancos passaram a ser mais seletivos, fechando a torneira especialmente para companhias de médio porte. Nesse vácuo, estruturas alternativas como os FIDCs ganharam terreno ao oferecer análise mais granular de risco, processos mais ágeis e condições customizadas conforme a necessidade de cada originador.

O setor de fundos estruturados, por sua vez, já ultrapassou R$ 800 bilhões em patrimônio líquido e caminha para superar a marca de R$ 1 trilhão até o fim de 2026, de acordo com projeções do mercado.

O fato central: aquisição da Via Capital dobra cedentes e expande geografia

A operação que coloca o Grupo IOX na casa dos R$ 4 bilhões combina dois movimentos simultâneos: crescimento patrimonial e diversificação geográfica. Antes da aquisição, o grupo administrava um FIDC com R$ 3,2 bilhões em patrimônio líquido e uma base de 700 cedentes. A Via Capital, por sua vez, tinha uma carteira de R$ 400 milhões com 1.400 cedentes ativos, presença expressiva em Goiás e forte atuação em Belo Horizonte.

Ou seja: ao absorver a carteira da Via Capital, o Grupo IOX praticamente dobrou seu número de cedentes, ampliando a pulverização do portfólio e reduzindo a concentração de risco em poucos originadores. A carteira adquirida representa cerca de 15% do portfólio total consolidado do grupo.

Vicente Guimarães, diretor de Relações com Investidores do Grupo IOX, destaca que o peso estratégico da operação vai além do volume financeiro. Para ele, a diversificação geográfica e a ampliação da base de cedentes são elementos centrais da estratégia de crescimento sustentável. "A Via Capital tinha 1.400 cedentes para uma carteira de R$ 400 milhões, enquanto o Grupo IOX contava com 700 cedentes em um FIDC de R$ 3,2 bilhões em patrimônio líquido", explica o executivo, ressaltando que o movimento permite ao grupo ampliar a diversificação da carteira e reduzir a concentração de risco.

Análise: o retorno estratégico ao middle market

A decisão de voltar a crescer no segmento de PMEs, companhias com faturamento anual de até R$ 500 milhões, reflete uma tese que vem ganhando força entre as gestoras de FIDC: o middle market oferece melhor relação entre risco e retorno quando acompanhado de estruturas sólidas de originação e análise de crédito.

Depois de um ciclo de crescimento com empresas de maior porte, o Grupo IOX optou por expandir para um universo com mais empresas e tickets menores, o que naturalmente dilui o risco de inadimplência concentrada. A presença em Goiás e Belo Horizonte, praças com dinâmica econômica distinta do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, também reduz a correlação de eventos de crédito no portfólio.

Para analistas do setor, o movimento sinaliza maturidade crescente dos FIDCs como instrumento de financiamento produtivo. A combinação de gestores mais sofisticados, estruturas regulatórias mais claras após as atualizações normativas da CVM, e um ambiente bancário seletivo cria condição favorável para que os FIDCs ocupem posição permanente, e não apenas conjuntural, no mapa do crédito empresarial brasileiro.

"O crédito privado está diretamente ligado à lacuna deixada pelos bancos. Com juros elevados, maior cautela na concessão de crédito e seletividade crescente, as instituições tradicionais passaram a restringir o acesso de muitas empresas ao capital", afirma Vicente Guimarães. "Nesse espaço, os FIDCs oferecem análise mais granular de risco, estruturas sob medida e maior velocidade na liberação de recursos."

Perspectivas: R$ 4 bilhões são ponto de partida, não de chegada

A meta de R$ 4 bilhões em patrimônio líquido no primeiro semestre de 2026 deve ser lida como consolidação de uma fase, não como destino final. Com a base de cedentes ampliada e a presença em novos mercados regionais, o Grupo IOX sinaliza apetite por continuar crescendo tanto organicamente, com novos cedentes no middle market, quanto por outras aquisições ou parcerias estratégicas.

O crescimento do segmento de FIDCs voltados a PMEs também deve atrair mais concorrentes nos próximos meses. Gestoras que hoje concentram esforços em empresas maiores devem olhar com mais atenção para esse nicho, especialmente se o ambiente bancário continuar seletivo. A disputa por cedentes de qualidade, com histórico de crédito sólido e fluxo de recebíveis previsível, tende a se intensificar.

Para o gestor de FIDC, o movimento do Grupo IOX reforça uma mensagem clara ao mercado: diversificação geográfica e de cedentes não é custo operacional, é vantagem competitiva. Carteiras pulverizadas sofrem menos em episódios de inadimplência setorial ou regional, o que se traduz diretamente em menor volatilidade para os cotistas sênior e maior previsibilidade nos retornos.

O setor acompanha de perto se outros gestores vão seguir o mesmo caminho, o que poderia acelerar ainda mais a expansão do crédito privado para regiões e segmentos ainda subatendidos no Brasil.


Fontes: Startupi (09/06/2026) — https://startupi.com.br/r-4-bilhoes-em-ativos-fidc-amplia-credito-privado-em-goias-e-mg/

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