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Fidcs & FundosCrédito privado

Vivo Pay Crediário leva crédito ao varejo da Vivo com recebíveis cedidos a FIDC

O varejo de uma operadora de telefonia virou porta de entrada para recebíveis de FIDC.

FIDC NEWSFIDC NEWS 4 min de leituraSem comentários

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A Vivo lançou um crediário próprio nas lojas físicas, com parcelamento em até 21 vezes. A operação roda sobre a infraestrutura da QI Tech, e cada parcela vendida vira um direito creditório cedido a um FIDC. O modelo mostra como empresas não financeiras com grande base de clientes estão se tornando originadoras relevantes para a indústria de fundos de crédito.

Do empréstimo pessoal a uma vertical financeira

A entrada da Vivo no crédito não começou agora. Há mais de quatro anos, a operadora lançou o Vivo Money, um produto de empréstimo pessoal desenvolvido com a QI Tech. Com o tempo, a companhia percebeu que tinha em mãos um canal de distribuição difícil de replicar: mais de 116 milhões de acessos, 85 milhões de usuários no aplicativo, dados de comportamento de milhões de clientes e mais de 1.800 lojas físicas no país.

O produto evoluiu para a marca Vivo Pay, que hoje reúne empréstimo pessoal, crédito do trabalhador, antecipação do saque-aniversário do FGTS, crediário nas lojas e uma vertical de seguros em expansão. Segundo a QI Tech, os serviços de empréstimo pessoal, crédito do trabalhador e antecipação do FGTS geraram receita de R$ 488 milhões no ano passado. Desde 2020, a operadora já concedeu mais de R$ 1,1 bilhão em crédito, e cerca de 39% dos smartphones vendidos em suas lojas saíram com seguro contratado.

O crediário e o caminho até o FIDC

O Vivo Pay Crediário permite financiar celulares, tablets, TVs, smartwatches, notebooks e consoles diretamente nas lojas da marca, em até 21 parcelas. A modalidade segue a lógica do Buy Now, Pay Later (BNPL), pode ser usada como meio principal de pagamento ou combinada com cartão de crédito ou débito, e o cliente sai da loja com os boletos impressos. A solução já está disponível em mais de 20% das unidades da Vivo, com expansão prevista para todo o Brasil.

A engrenagem financeira é o ponto que interessa ao mercado de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). A Vivo faz toda a análise de crédito. No momento da aprovação, a QI Tech emite a CCB (Cédula de Crédito Bancário), o instrumento que formaliza a dívida e permite sua cessão. Em seguida, esse direito creditório é cedido a um FIDC que, no caso do crediário, é administrado e gerido pela própria QI Tech. A empresa também cuida da bancarização e da cobrança da operação, cobrindo a jornada da originação à liquidação.

Na prática, a QI Tech atua em três elos da cadeia: originação, emissão do instrumento de crédito e gestão do ativo. O FIDC é a peça que garante o funding e a escalabilidade do modelo, já que a Vivo não precisa carregar o crédito no próprio balanço para crescer.

Análise: o que muda para o mercado de FIDC

Para Pedro Mac Dowell, CEO e fundador da QI Tech, “crédito não é mais um produto isolado, é uma camada da experiência”. O executivo afirma que a presença de uma empresa com a capilaridade da Vivo na jornada de compra amplia o acesso ao crédito, aumenta o potencial de conversão e cria uma relação financeira mais recorrente com o consumidor.

Do ponto de vista dos FIDCs, o movimento tem um lado positivo claro. Empresas com distribuição massiva e dados próprios de comportamento passam a gerar fluxo contínuo de recebíveis pulverizados, com tíquete baixo e alto volume, um perfil que costuma favorecer a diversificação da carteira. Cada novo originador não financeiro amplia o estoque de direitos creditórios disponíveis para estruturação, o que abre espaço para novos fundos e para investidores em busca de exposição ao crédito ao consumo.

O outro lado exige atenção. Crédito ao consumo parcelado em até 21 vezes, com pagamento via boleto, depende da qualidade da análise feita pelo originador e da eficiência da cobrança. Para quem investe em cotas de fundos com esse tipo de lastro, a estrutura de subordinação, os critérios de elegibilidade e o histórico de inadimplência da carteira serão os indicadores decisivos. Outro ponto a acompanhar é a concentração de papéis: quando o mesmo grupo emite a CCB, administra e gere o fundo, a governança e a transparência da estrutura ganham peso na avaliação do investidor.

Perspectivas: embedded finance como fonte de lastro

O caso Vivo Pay se encaixa no avanço do embedded finance, em que empresas de varejo, telecom e serviços oferecem produtos financeiros dentro da própria jornada de compra. Para essas companhias, o crédito vira uma camada adicional de receita sobre um ativo que já existe: a base de clientes e o ponto de venda. Para o vendedor da loja, é uma ferramenta que aumenta o tíquete médio e simplifica a venda de aparelhos para quem não tem limite no cartão.

A expansão do crediário para toda a rede de lojas da Vivo deve aumentar o volume de recebíveis cedidos ao fundo nos próximos meses. O mercado vai observar se o modelo sustenta a escala com níveis de inadimplência controlados e se outras empresas com grande base de clientes seguem o mesmo caminho, o que tende a consolidar os FIDCs como o principal veículo de funding do crédito embutido no varejo brasileiro.


Fontes: QI Tech (case Vivo Pay), qitech.com.br/cases/vivo-pay | QI Tech Newsroom, conteudo.qitech.com.br/?newsroom=qi-tech-viabiliza-vivo-pay-crediario

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