Asaas capta R$ 300 milhões em FIDC e reforça funding para antecipação de PMEs
Com a terceira e maior emissão, a fintech consolida o FIDC como funding exclusivo da antecipação de recebíveis de pequenos negócios.

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O Asaas, plataforma de gestão
financeira para pequenas e médias empresas investida por Bond e SoftBank,
levantou R$ 300 milhões em um novo FIDC (Fundo de Investimento em Direitos
Creditórios). É a maior captação da companhia nesse formato. Os recursos vão
para a antecipação de recebíveis de cartão parcelado, que responde por 90% da
operação de crédito da empresa. A operação chega num momento em que o cartão
ganha espaço entre os pequenos negócios e a demanda por capital de giro
acompanha esse movimento.
Uma trajetória construída em degraus
O Asaas faz captações cada vez
maiores em FIDC. A primeira, em 2023, somou R$ 50 milhões. A segunda veio em
agosto de 2025, com R$ 100 milhões. A terceira, agora, triplica o tamanho da
anterior. Com ela, o volume acumulado nos fundos chega a R$ 450 milhões.
O ritmo das captações segue a expansão da carteira. A fintech já antecipou R$ 4 bilhões desde que começou a operar o produto, dos quais R$ 1,4 bilhão só em 2026. Cerca de 80% desse volume é financiado pelos FIDCs, o que mostra o peso do veículo na estrutura de funding da empresa.
A base de clientes também mudou de perfil. Dos 300 mil clientes ativos por mês, 30% usam a antecipação. Há dois anos e meio, essa fatia era de 18% a 20%. Segundo João Vitor Possamai, CFO do Asaas, a mudança vem do comportamento de quem compra: "Olhando para os meios de pagamento que os pequenos negócios têm vendido, o Pix cresceu, mas o cartão de crédito está crescendo muito, com as pessoas cada vez mais abertas a receber pagamentos parcelados". E completa: "E quando você faz isso e está dando parcelamento, você tem naturalmente a demanda pela antecipação."
A estrutura do novo fundo
O FIDC tem R$ 280 milhões em
cotas seniores e R$ 20 milhões em cotas subordinadas. Na prática, a
subordinação fica em torno de 6,7% do patrimônio. Essa é a parcela que absorve
as primeiras perdas da carteira e protege o investidor sênior. As cotas seniores
pagam CDI mais 1,15% ao ano e foram distribuídas a investidores institucionais.
A Kanastra faz a gestão e a administração do fundo.
O lastro é o principal fator de risco da estrutura. Recebíveis de cartão parcelado já foram aprovados pelo emissor, ou seja, o risco de inadimplência do comprador final fica com o banco do cartão. Por isso, o risco relevante passa a ser operacional, ligado principalmente a cancelamentos e chargebacks. Nesse ponto, o Asaas informa uma taxa de chargeback de 0,5%, contra uma referência de mercado em torno de 1%.
Para Possamai, o principal ganho da estrutura é ter um funding dedicado: "Ele é dedicado a essa operação. Então, não interessa o que vai acontecer no mercado ou se deu alguma incerteza. A gente consegue esse funding dedicado porque ele é para isso". Segundo ele, "essa certeza de funding é o principal fator aqui que ajuda muito os nossos clientes."
Análise: o FIDC como motor e
como ponte
O caso do Asaas segue um padrão
comum entre fintechs de pagamento. O FIDC entra como o primeiro funding
institucional da empresa e cresce na mesma velocidade da carteira. O gestor vê
na operação três elementos que o mercado valoriza: lastro de cartão com baixo
histórico de perda, subordinação clara e um originador com dados operacionais
fortes. Um spread de 1,15% sobre o CDI para cotas seniores com esse perfil
mostra que o risco da carteira tem preço competitivo.
Ainda assim, a empresa não quer depender de crédito. Hoje a operação de crédito representa apenas 15% da receita, e a maior parte vem da plataforma de gestão. "Para ser uma empresa sustentável, para a gente poder ganhar dinheiro em crédito, mas também ter uma empresa sustentável e não depender do crédito, que é um mercado naturalmente cíclico, a gente tem que ter outras fontes de receita", afirma o CFO.
Para o mercado de FIDC, o ponto principal é o papel que o veículo ocupa nessa estratégia. O FIDC deixa de ser a única fonte de funding e passa a ser uma das fontes, com função específica dentro do passivo.
Perspectivas: diversificação
do passivo à vista
O Asaas recebeu autorização para
operar como financeira em dezembro de 2025. Com isso, ganha acesso a
instrumentos como CDBs e letras financeiras. Esses produtos se somam ao capital
próprio e às linhas de bancos e adquirentes. A tendência é que a participação
relativa do FIDC no funding diminua, mesmo com o volume em reais ainda
crescendo.
"O FIDC não vai ser uma parte tão grande quanto ele é hoje, porque eu vou poder crescer e diversificar o funding ainda mais. Mas ele continua sendo uma parte importante por ter esse perfil de ser um funding dedicado a um propósito específico, regulado, com os controles bem amarrados, acessando fundos institucionais", diz Possamai.
A empresa projeta passar de R$ 1 bilhão em receita em 2026 e chegar a R$ 2 bilhões em 2027. Para quem investe em FIDCs de recebíveis de cartão, há três pontos a acompanhar: o desempenho do chargeback com a carteira maior, o espaço para novas emissões e o custo do funding bancário em comparação com o spread pago aos cotistas.
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