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Fidcs & FundosCrédito privado

Agibank estrutura FIDC de R$ 2,1 bi com lastro em consignado do INSS

Com a terceira oferta em pouco mais de um ano, o banco transforma o FIDC em pilar permanente da sua estrutura de funding.

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O Agibank lançou uma nova emissão de cotas de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) no valor de R$ 2,1 bilhões, lastreada em empréstimos consignados do INSS. A operação é a terceira do banco nesse formato desde 2025 e eleva para R$ 6,6 bilhões o volume total captado via fundos de recebíveis. Em um mercado em que bancos médios disputam fontes de financiamento estáveis, a estratégia mostra como o FIDC deixou de ser uma alternativa pontual e passou a ser uma via estrutural de captação.

Uma série de emissões que ganha escala

O movimento do Agibank no mercado de FIDC começou em 2025, com uma primeira emissão de R$ 2 bilhões. A operação teve demanda três vezes superior à oferta e reuniu mais de 20 investidores profissionais, um sinal claro de apetite do mercado por crédito lastreado em consignado.

A segunda emissão veio maior: R$ 2,5 bilhões, com prazo máximo de dez anos. Agora, com a terceira oferta de R$ 2,1 bilhões, o banco chega a R$ 6,6 bilhões captados em três operações, uma média de R$ 2,2 bilhões por emissão.

A recorrência importa. Para o investidor institucional, um emissor que volta ao mercado com frequência e com estruturas semelhantes reduz o custo de análise e cria um histórico de performance que pode ser acompanhado de uma operação para outra. Para o emissor, a repetição ajuda a consolidar uma base de investidores e a padronizar a documentação das ofertas.

Os termos da nova oferta

A emissão é de R$ 2,1 bilhões em cotas classe A, divididas em duas séries. O fundo é estruturado como condomínio fechado de responsabilidade limitada, ou seja, os cotistas não podem resgatar as cotas antes do vencimento, e sua exposição a perdas fica limitada ao capital investido. A oferta é destinada exclusivamente a investidores profissionais.

A remuneração foi fixada em CDI + 1,05% ao ano, e o prazo de vencimento é de 132 meses, o equivalente a 11 anos. Na comparação com a segunda emissão, que tinha prazo máximo de dez anos, a nova operação alonga o horizonte em mais um ano.

O lastro são direitos creditórios de empréstimos consignados do INSS, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício previdenciário do tomador. Essa característica é o principal atrativo do ativo para quem investe em FIDC: o pagamento não depende da iniciativa do devedor, o que tende a reduzir a inadimplência em relação a outras linhas de crédito pessoal. Por outro lado, a carteira fica sujeita a riscos específicos, como mudanças nas regras do consignado, alterações no teto de juros da modalidade e eventos de fraude ou contestação de contratos.

O que a estrutura revela sobre a estratégia do banco

A combinação de prazo longo e remuneração atrelada ao CDI aponta para um objetivo claro: casar o funding com o perfil da carteira de consignado, que costuma ter contratos de prazo extenso. Ao financiar esses créditos por meio de um FIDC com vencimento de 11 anos, o banco reduz o descasamento entre ativos e passivos e diminui a dependência de captações de prazo mais curto, como depósitos a prazo.

O CEO do Agibank, Glauber Correa, resume a lógica da estratégia: "Garantir fontes de financiamento diversificadas e de longo prazo é essencial para assegurar previsibilidade e capacidade de crescimento sustentável."

Para o gestor de FIDC, a leitura do spread também é relevante. Um prêmio de 1,05% ao ano sobre o CDI, para um papel de 11 anos lastreado em consignado do INSS, funciona como referência de precificação para outras estruturas com o mesmo tipo de lastro. Emissões desse porte tendem a balizar as negociações de originadores menores que buscam o mesmo perfil de investidor.

O que monitorar nos próximos meses

O primeiro ponto de atenção é a demanda pela nova oferta. Depois de uma primeira emissão com procura três vezes maior que o volume ofertado, o resultado da terceira operação vai indicar se o apetite dos investidores profissionais por esse risco se mantém com o aumento do estoque de cotas do mesmo emissor no mercado.

O segundo ponto é regulatório. Qualquer mudança nas regras do consignado do INSS, seja no teto de juros, na margem consignável ou nos mecanismos de combate a fraudes, afeta diretamente a originação e a performance das carteiras que servem de lastro para esses fundos.

Por fim, vale acompanhar se outros bancos médios seguirão o mesmo caminho. Com R$ 6,6 bilhões captados em pouco mais de um ano, o Agibank mostra que o FIDC pode sustentar o crescimento de uma carteira de crédito em escala, o que reforça o papel desses fundos como canal de financiamento da economia real e amplia as oportunidades para investidores institucionais em busca de retorno atrelado ao CDI com lastro pulverizado.


Fontes: Finsiders Brasil, "Agibank estrutura FIDC de R$ 2,1 bi com lastro em consignado do INSS", 02/10/2026


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