FIDCs ampliam captação em 28%, enquanto operações têm prazos menores e deságio mais alto
Fundos captaram R$ 59,8 bilhões entre janeiro e julho, enquanto prazo médio das operações caiu ao menor nível do ano e deságio atingiu 2,88% ao mês.

São Paulo, agosto de 2026 – Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm ganhando espaço no mercado de capitais brasileiro em 2026, mas o aumento da captação ocorre acompanhado de uma postura mais seletiva na concessão de crédito. Entre janeiro e julho, os fundos captaram R$ 59,8 bilhões, crescimento de 27,9% em relação aos R$ 46,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados da ANBIMA.
O avanço é mais de três vezes superior ao crescimento de 8,8% do mercado de capitais como um todo, que movimentou aproximadamente R$ 429,8 bilhões no período. Dentro dos instrumentos de securitização, a diferença é ainda mais evidente: enquanto os FIDCs avançaram, as emissões de CRIs recuaram 20%, para R$ 22,1 bilhões, e as de CRAs caíram 52,7%, para R$ 7,9 bilhões. Com isso, os FIDCs passaram a representar cerca de 67% do volume captado por FIDCs, CRIs e CRAs, ante 51% no mesmo período de 2025. Abril concentrou o maior volume mensal recente, com R$ 15 bilhões.
Na outra ponta do mercado, porém, os indicadores mostram maior cautela na aplicação desses recursos. Dados do Qtrends, ferramenta da Quick Soft que acompanha operações de FIDCs, mostram que o prazo médio das operações caiu de 51,6 dias em maio para 46,5 dias em julho, redução de aproximadamente 10% em dois meses e o menor patamar registrado no ano. No mesmo intervalo, o deságio médio passou de 2,68% para 2,88% ao mês, maior nível de 2026, permanecendo estável em junho e julho.
Para Lucas Fiuza, co-CEO da Quick Soft, os dois movimentos ajudam a mostrar um mercado com maior disponibilidade de recursos, mas que mantém atenção à gestão de risco. “O aumento da captação mostra que há mais capital chegando aos FIDCs, mas isso não significa uma flexibilização dos critérios de crédito. Na prática, vemos operações com prazos menores e um deságio mais elevado, o que indica uma alocação mais criteriosa e uma reprecificação do risco. O funding cresce, mas os gestores continuam muito atentos à qualidade das operações que entram nas carteiras”, afirma.
Giro mais rápido das carteiras
A redução dos prazos também tende a permitir um giro mais rápido dos recursos. Em um ambiente de juros elevados, operações mais curtas diminuem o período de exposição ao risco e permitem que o capital seja novamente alocado em intervalos menores.
O volume médio operado por operador (VOP), outro indicador acompanhado pelo Qtrends, registrou em junho sua única retração de 2026, de 4,6%, seguida por leve recuperação de 0,9% em julho.
“Não vemos uma contradição entre a expansão dos FIDCs no mercado de capitais e uma postura mais conservadora na operação. São duas pontas do mesmo movimento. Há recursos disponíveis, mas a indústria está buscando utilizá-los com disciplina, ajustando preço e prazo às condições de risco de cada operação”, acrescenta Fiuza.
Mesmo com uma queda de 41% na captação dos FIDCs entre junho e julho, quando o volume mensal chegou a R$ 6,7 bilhões, o resultado ainda ficou 16,7% acima de julho de 2025. O movimento também repete um comportamento observado no ano passado, quando julho registrou queda de 44,9% na comparação com junho.
Para os próximos meses, um dos indicadores a serem acompanhados será o comportamento do deságio. A manutenção da taxa média em 2,88% em junho e julho pode indicar uma estabilização da reprecificação observada recentemente. Uma eventual queda nos próximos meses poderia sinalizar uma melhora das condições na ponta das operações.
FIDC NEWS
O .fidcnews é um veículo digital focado em notícias e análises sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com o propósito de tornar acessíveis os dados e tendências do mercado de crédito estruturado.
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